Lava-Jato libera comprovantes de propina a Santana para TSE

SÃO PAULO — Os documentos que provam o repasse de propina desviada da Petrobras para o marqueteiro do PT, João Santana, já estão disponíveis para a Justiça Eleitoral. A força tarefa da Lava-Jato compartilhou, nesta terça-feira, as planilhas e os extratos bancários que provam os repasses do operador Zwi Skornicki e da construtora Odebrecht ao marqueteiro. As provas serão anexadas ao pedido de cassação da chapa da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) que está sendo analisado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em maio, o TSE rejeitou uma apelação dos advogados de Dilma que queriam evitar a utilização de documentos da Lava-Jato na ação. A defesa tentava restringir a produção de provas e a realização de perícias nas ações com base no pedido original do PSDB feito ao tribunal. A decisão da Corte Eleitoral, contrária à análise desses recursos, foi unânime.

Em delação, Zwi Skornicki, representante no Brasil do estaleiro Keppel Fels, contou à força-tarefa que o então tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, lhe pediu US$ 4,5 milhões (R$ 15,2 milhões) para ajudar a financiar a campanha pela reeleição de Dilma Rousseff, em 2014. O pagamento foi feito diretamente em uma conta do marqueteiro João Santana na Suíça, e não foi declarado à Justiça Eleitoral. Os repasses, segundo ele, foram realizados nos meses próximos às eleições de 2014, entre setembro de 2013 e novembro de 2014, o que já fazia os investigadores desconfiarem da relação com a campanha.

A Odebrecht pode ter repassado cerca de US$ 16 milhões a Santana. Os investigadores da Lava-Jato encontraram um “banco da propina” comprado pela construtora para repassar recursos não declarados foram do país. Ainda não se save se os pagamentos foram relativos a campanhas eleitorais realizadas no país. Documentos apreendidos nas buscas realizadas na 23ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Acarajé, sete repasses foram feitos entre outubro e novembro daquele ano, enquanto Santana trabalhava na campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff.

No total, a Lava-Jato anexou 79 arquivos para atender a seis pedidos do TSE. O Tribunal queria acesso aos comprovantes dos pagamentos efetuados em favor de Santana e sua mulher, Mônica Moura, e de suas empresas “especialmente” em contas mantidas no exterior em nome da offshore Shellbil. O Justiça Eleitoral pediu também os documentos que provam repasses feitos pela offshore Klienfeld e Innovation, da Odebrecht, para Santana.

Os advogados de Dilma negam ter havido caixa 2 na campanha. Repetidamente, todas as despesas da campanha foram “regularmente contabilizadas e aprovadas pelo TSE”.

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