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Lava-Jato: Cheque e saques de filho de Bumlai serão rastreados

Da redação | 18/05/2016 20:50

BRASÍLIA — O ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), acolheu pedido da Procuradoria-Geral da República para fazer o rastreamento de um cheque e dois saques em espécie que Maurício Bumlai, filho do pecuarista José Carlos Bumlai, teria feito para subornar a família do ex-diretor de Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró. A nova frente de investigação pode complicar a situação do pecuarista, amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e do filho dele. Maurício é acusado de oferecer dinheiro a família de Cerveró para excluir o pai da delação do ex-diretor na Lava-Jato.

Com base na decisão de Teori, Janot deverá fazer levantamento sobre um cheque de R$ 49.206,77, do Bradesco, que Maurício teria usado para fazer um dos pagamentos antecipados a Bernardo Cerveró, filho de Cerveró. O cheque foi sacado em 18 de agosto do ano passado. O procurador-geral também fará o rastreamento de dois saques em espécie, um de R$ 50 mil e outro de R$ 25 mil. As somas foram sacadas entre maio e junho do ano passado. A suspeita é que o dinheiro também foi usado para comprar o silêncio do ex-diretor que, naquele período estava preso e negociando delação premiada com o Ministério Público Federal.

Os desdobramentos da investigação podem aumentar a pressão sobre o ex-presidente Lula. O ex-presidente é acusado de pedir ao ex-senador Delcídio Amaral para interferir na delação de Cerveró e impedir que o ex-diretor fizesse qualquer acusação contra o amigo Bumlai. As acusações surgiram na delação premiada de Delcídio e foram encampadas pela Procuradoria-Geral. Em recente aditamento à denúncia formulada contra Delcídio e outros suspeitos no início do ano, Janot acusa Lula de tentar obstruir a Lava-Jato e toma como base as declarações do ex-lider do governo Dilma no Senado.

Nos novos trechos acrescentados à denúncia, o procurador-geral descreve diálogos em que Maurício Bumlai acerta local e horário para pagamento a Bernardo Cerveró. O caso teve origem em 25 de novembro do ano passado, quando Delcídio foi preso sob a acusação de tramar a fuga e a manipulação da delação de Cerveró. Também foram presos Diogo Ferreira, ex-chefe de gabinete de Delcídio, o advogado Édson Oliveira e o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual.

Delcídio, Diogo e Edson Oliveira foram flagrados numa conversa em que falam com Bernardo sobre a possibilidade de Cerveró deixar a prisão e fugir para a Espanha. Pelas tratativas, a família de Cerveró seria recompensada com ajuda financeira mensal de R$ 50 mil. Parte da operação seria financiada pelo Esteves, com quem Delcídio tem proximidade. Mas em acordo de delação, Delcídio disse que Lula seria o verdadeiro responsável pela iniciativa dele de manipular a delação de Cerveró e que o silêncio do ex-diretor seria comprado pelos Bumlai.

Investigações posteriores da Procuradoria-Geral da República reuniram indícios da movimentação de Maurício Bumlai no caso. O rastreamento do cheque e dos saques representariam, agora, a prova concreta de parte das acusações de Delcídio.

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