Jornais precisam investir em reportagem para evitar crise, dizem editores

SÃO PAULO – Os jornais precisam investir em reportagens para saírem da crise que atinge a imprensa brasileira. Para continuar sendo relevantes para os leitores, as publicações devem oferecer conteúdo exclusivo e informações que fujam do que já está disponível gratuitamente em inúmeros sites na internet. O diagnóstico foi feito pelos dirigentes das três principais redações do país na tarde desta sexta-feira, durante painel no 11º Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que está sendo realizado em São Paulo.

O painel “Por que investir em reportagem para sobreviver à crise?” foi mediado por Fernando de Barros e Silva, diretor de redação da revista Piauí.

— Sem essa coluna verbal, a reportagem, os jornais não vão sobreviver, independente de ter crise ou não — afirmou o editor-executivo da Folha de S.Paulo, Sérgio Dávila.

Para o diretor de Jornalismo do Grupo Estado, que edita o jornal O Estado de S. Paulo, João Caminoto, os jornais vivem um momento rico, embora não tenham encontrado o modelo ideal de sustentabilidade para o negócio. Por mais que o noticiário na internet ganhe força, na opinião de Caminoto, reportagens que saem nas edições impressas ainda têm mais impacto.

— A reportagem, em profundidade, ganhou força com o advento de novas tecnologias, como vídeos, podcasts e realidade virtual.

O diretor de redação do jornal O GLOBO, Ascânio Seleme, defendeu que redações fortes, com bons profissionais, são a “única esperança” dos jornais de sobreviverem à crise:

— As grandes reportagens cabem em todas as plataformas. É esse o conteúdo que nos diferencia. Nem sempre elas dão audiência, nem sempre significam dinheiro novo para sustentar nossa estrutura, mas são elas consolidam nossa marca de bom jornalismo.

A partir da constatação de que a circulação das edições impressas e a verba de anunciantes diminuíram ao longo dos últimos anos, os editores discutiram outras formas de financiamento para as empresas jornalísticas, como a cobrança de assinaturas digitais (o paywall), o patrocínio de grandes coberturas e a produção de conteúdo patrocinado sob demanda (o chamado branded content).

Para Dávila, jornais no exterior já investem em seminários e eventos como forma de chamar anunciantes. Estimativas feitas pelos editores mostra que cerca de 80% da renda das empresas jornalísticas brasileiras ainda vem da renda do jornal. O editor-executivo da Folha afirmou, ainda, que os jornais deverão debater, em um futuro próximo, como cobrar redes sociais como Facebook e Twitter:

— Nós trabalhamos gratuitamente para eles, fornecendo conteúdo sem ser remunerado. Eles ganham acesso e vendem anúncios. No exterior essa discussão já está acontecendo. Acho que em breve chegará ao Brasil também.

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