CM7

     
 
 
Manaus, 18 de outubro
Mercado financeiro
Dólar
Euro
 
 
Home / Últimas Notícias / Brasil / Jornais precisam de reportagem para evitar crise, dizem editores

Jornais precisam de reportagem para evitar crise, dizem editores

Da redação | 24/06/2016 19:10

SÃO PAULO – Os jornais precisam investir em reportagens para saírem da crise que atinge a imprensa brasileira. Para continuar sendo relevantes para os leitores, as publicações devem oferecer conteúdo exclusivo e informações que fujam do que já está disponível gratuitamente em inúmeros sites na internet. O diagnóstico foi feito pelos dirigentes das três principais redações do país na tarde desta sexta-feira, durante painel no 11º Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que está sendo realizado em São Paulo.

O painel “Por que investir em reportagem para sobreviver à crise?” foi mediado por Fernando de Barros e Silva, diretor de redação da revista Piauí.

— Sem essa coluna verbal, a reportagem, os jornais não vão sobreviver, independente de ter crise ou não — afirmou o editor-executivo da Folha de S.Paulo, Sérgio Dávila.

Para o diretor de Jornalismo do Grupo Estado, que edita o jornal O Estado de S. Paulo, João Caminoto, os jornais vivem um momento rico, embora não tenham encontrado o modelo ideal de sustentabilidade para o negócio. Por mais que o noticiário na internet ganhe força, na opinião de Caminoto, reportagens que saem nas edições impressas ainda têm mais impacto.

— A reportagem, em profundidade, ganhou força com o advento de novas tecnologias, como vídeos, podcasts e realidade virtual.

O diretor de redação do jornal O GLOBO, Ascânio Seleme, defendeu que redações fortes, com bons profissionais, são a “única esperança” dos jornais de sobreviverem à crise:

— As grandes reportagens cabem em todas as plataformas. É esse o conteúdo que nos diferencia. Nem sempre elas dão audiência, nem sempre significam dinheiro novo para sustentar nossa estrutura, mas são elas consolidam nossa marca de bom jornalismo.

A partir da constatação de que a circulação das edições impressas e a verba de anunciantes diminuíram ao longo dos últimos anos, os editores discutiram outras formas de financiamento para as empresas jornalísticas, como a cobrança de assinaturas digitais (o paywall), o patrocínio de grandes coberturas e a produção de conteúdo patrocinado sob demanda (o chamado branded content).

Para Dávila, jornais no exterior já investem em seminários e eventos como forma de chamar anunciantes. Estimativas feitas pelos editores mostra que cerca de 80% da renda das empresas jornalísticas brasileiras ainda vem da renda do jornal. O editor-executivo da Folha afirmou, ainda, que os jornais deverão debater, em um futuro próximo, como cobrar redes sociais como Facebook e Twitter:

— Nós trabalhamos gratuitamente para eles, fornecendo conteúdo sem ser remunerado. Eles ganham acesso e vendem anúncios. No exterior essa discussão já está acontecendo. Acho que em breve chegará ao Brasil também.

Anuncie em Nossas Pesquisas
Anuncie em Nossas Pesquisas

FAÇA SEU COMENTÁRIO SOBRE ESTA NOTÍCIA