Janot pede para incluir Lula e cúpula do PT e do PMDB no principal inquérito da Lava-Jato

BRASÍLIA – Chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para incluir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como investigado no principal inquérito da Lava-Jato. Também serão alvo do mesmo inquérito outras 29 pessoas – entre elas, os ministros mais próximos da presidente Dilma Rousseff: Jaques Wagner (chefe de gabinete da Presidência da República), Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) e Edinho Silva (Comunicação Social). O assessor especial da Presidência da República, Giles Azevedo, e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), também estão na lista.

O principal inquérito da Lava-Jato já contava com 39 investigados – entre eles, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Agora, serão 69 investigados. A principal suspeita é de que as pessoas formavam uma quadrilha para desviar recursos da Petrobras. Há também suspeita de lavagem de dinheiro e corrupção passiva. No pedido de Janot também estão, entre os novos investigados, os senadores Jader Barbalho (PMDB-PA) e Delcídio Amaral (sem partido-PT), o ex-ministro Antonio Palocci, o banqueiro André Esteves, o pecuarista José Carlos Bumlai e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto.

No pedido de investigação, Janot escreveu: “Embora as investigações da Operação Lava-Jato tenham avançado bastante, ainda há necessidade de se esclarecer os papéis desempenhados por alguns integrantes dessa organização e se há outros envolvidos, bem como corroborar alguns fatos e informações trazidas no bojo dos acordos firmados. Caberá ao ministro Teori Zavascki, relator da Lava-Jato no STF, autorizar ou não a inclusão dos novos investigados no inquérito.

Lula já era investigado em outro inquérito no STF aberto com base na Operação Lava-Jato. Na outra investigação, ele é suspeito de participar da trama para tentar impedir a delação premiada do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

Ainda nesta terça-feira, a Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu investigar a presidente Dilma Rousseff para verificar se houve crime na tentativa de nomear Lula para a Casa Civil e na indicação do ministro Marcelo Navarro para o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Janot também solicitou a investigação do ministro da Educação, Aloizio Mercadante, por tentar evitar que o senador Delcídio Amaral fechasse acordo de delação premiada.

Na segunda-feira, a PGR solicitou abertura de inquérito contra seis peemedebistas — incluindo o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ) e o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL) —, contra o tucano Aécio Neves (MG), e contra os petistas Marco Maia (RS) e o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva.

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