Janaína Paschoal causa polêmica em comissão ao comentar prisão de Paulo Bernardo

BRASÍLIA — A jurista Janaina Conceição Paschoal, que representa a acusação, causou polêmica durante os debates ao tratar, de forma paralela, da operação da Polícia Federal que levou à prisão o ex-ministro Paulo Bernardo, marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR). Ela questionou a ex-secretário de Orçamento Federal Esther Dweck se o sistema que trata dos decretos tinha sido realizado pela empresa Consist, apontada na investigação como envolvida no esquema que levou à prisão do ministro.

— Hoje houve várias prisões envolvendo a empresa que cuidava do sistema do Ministério do Planejamento, inclusive o ministro do Planejamento na época, em 2009, foi preso. A empresa que cuida desse sistema, por acaso é a Consist? Sem juízo de valor, mas é porque ela está envolvida nesse escândalo de hoje — afirmou Janaina.

A menção rompeu um “acordo tácito” dos senadores de ignorar o tema. A senadora Vanessa Grazziottin (PC do B-AM) irritou-se. Ela reclamou que a advogada fazia discurso político na comissão.

— Acho que essa senhora não está aqui para fazer discurso político, está para defender denúncia que ela fez. Repilo esse discurso político que ela vem fazendo — reclamou Vanessa.

O líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB), defendeu Janaina. Afirmou que o advogado de defesa, o ex-ministro José Eduardo Cardozo, também fez, em alguns momentos, discurso político.

Esther respondeu à pergunta de Janaina afirmando que o sistema não é feito pela Consist, mas pela própria Secretaria de Orçamento Federal.

Janaina afirmou também que a defesa recorreu ao discurso político ao falar em golpe e ter requerido áudios gravados pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado nos quais integrantes da cúpula do PMDB falam sobre parar a Lava-Jato. Ela destacou que esses áudios levaram ao pedido de prisão de Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney.

— Quando é pedido de prisão de determinado partido é jurídico, quando é prisão de um cabeção do PT, aí é político? Não consigo entender — afirmou a jurista.

O advogado José Eduardo Cardozo disse que não fala de política, mas de dados do processo.

A sessão foi encerrada com o fim do depoimento de Esther.

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