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Grampo telefônico sugere que Dilma agiu para tentar evitar a prisão de Lula

Da redação | 16/03/2016 20:00

SÃO PAULO – A Polícia Federal encontrou indícios de que a presidente Dilma Rousseff pode ter agido para tentar evitar a prisão do ex-presidente Lula. Diálogo divulgado nesta quarta-feira em inquérito público tramita na Justiça Federal em Curitiba mostra uma conversa telefônica entre o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff, no qual ela diz que encaminharia previamente a ele o “termo de posse” de ministro. (Leia a íntegra do auto de interceptação telefônica da presidente Dilma)

Dilma diz a Lula que o termo de posse só deveria ser usado “em caso de necessidade”. A conversa foi registrada no início da tarde desta quarta-feira, às 13h32, pela PF, poucas horas antes da publicação da posse de Lula para o cargo de ministro da Casa Civil.

A conversa foi captada pela PF porque o telefone de um segurança do ex-presidente, o tenente Valmir Moraes da Silva, era objeto de interceptação telefônica autorizada pela Justiça. Era por este aparelho que Lula se comunicava com autoridades e seus interlocutores.

Veja o diálogo:

Dilma: Seguinte, eu tô mandando o “bessias” junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?!

Lula: “Uhum”. Tá bom, tá bom.

Dilma: Só isso, você espera aí que ele tá indo aí.

Lula: Tá bom, eu tô aqui, eu fico aguardando.

Dilma: Tá?!

Lula: Tá bom.

Dilma: Tchau

Lula: Tchau, querida.

OBSTRUÇÃO DA JUSTIÇA

Uma das conversas descritas em relatório da Polícia Federal anexado ao inquérito, o ex-presidente se diz insatisfeito com a atuação do então vice procurador-geral Eugênio Aragão, em conversa com um dos diretores do Instituto Lula, Paulo Vannuchi, em 27 de fevereiro deste ano. Na gravação, Lula mostra-se insatisfeito com o vice-procurador-geral, Eugênio Aragão, e diz que colocaria duas parlamentares do PT “em cima” de um outro procurador da Procuradoria Geral da República (PGR).

“Aquele filho da puta do Procurador antes de dar a notícia da intimação, na quinta-feira, para o advogado, deu pra Globonews. É um filho da puta mesmo (…) O problema é o seguinte, Paulinho, nós temos que comprar essa briga, eu sei que é difícil, sabe?! Eu às vezes fico pensando até que o Aragão deveria cumprir um papel de homem naquela porra, porque o Aragão parece nosso amigo, parece, parece, mas tá sempre dizendo “olha…”, diz Lula.

Mais adiante, o ex-presidente aponta o que seria uma solução para ter alguém de confiança dele na PGR:

“Nós vamos pegar esse de Rondônia agora, eu vou colocar a Fátima Bezerra e a Maria do Rosário em cima dele”, diz. Segundo a PF, trata-se do procurador Douglas Kirchner.

SUSPEITA DE OPERAÇÃO

O relatório da PF também mostra que Lula suspeitava já no fim de fevereiro, dias antes da operação que o teve como alvo, de que haveria um mandato de busca e apreensão em sua casa e na de seus filhos.

Na conversa, registrada em 27 de fevereiro, com o presidente do PT, Rui Falcão, ele diz esperar a ação da PF para o dia 29 daquele mês. O mandado de busca e apreensão acabou acontecendo uma semana mais tarde.

“É eu tô esperando segunda-feira. Eu tô esperando segunda-feira a Operação de busca e apreensão na minha casa, do meu filho Marcos, do meu filho Fábio, do meu filho Sandro, do meu filho Cláudio”, diz o ex-presidente.

QUEBRA DO SIGILO

Nesta quarta-feira, o juiz Sérgio Moro decidiu derrubar o sigilo do inquérito que investigava as atividades do presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e o ex-presidente e remetê-lo à Procuradoria Geral da República, por sugestão da força tarefa da Lava-Jato em Curitiba.

“Constata-se que o ex-presidente já sabia ou pelo menos desconfiava de que estaria sendo interceptado pela Polícia Federal, comprometendo a espontaneidade e a credibilidade de diversos dos diálogos”, escreveu Moro em despacho divulgado nesta quarta.

Segundo juiz, “alguns diálogos sugerem que tinha conhecimento antecipado das buscas” realizadas em 4 de março. Moro argumenta que “somente o terminal utilizado pelo ex-presidente foi interceptado”, e não o de “autoridades com foro privilegiado, colhidos fortuitamente”, em menção à presidente Dilma Rousseff e a ministros que conversaram com Lula.

O juiz também explicou ter mantido no despacho diálogos interceptados de Roberto Teixeira, advogado de Lula, por entender haver motivos para considerá-lo “um investigado”, e não apenas advogado do ex-presidente.

QUESTIONAMENTO A DELAÇÕES

Em um diálogo com o senador Lindberg Farias, o ex-presidente Lula deixa claro que suspeitava de um grampo no telefone que estava utilizando, de um assessor seu. “Eu estou falando nesse telefone porque quero ver se a Polícia Federal está gravando… (risadas) Quero ver se está grampeado”. A conversa ocorreu no dia 2 de fevereiro, dois dias antes da 24ª fase da Operação Lava-Jato, que teve Lula como alvo.

Na mesma conversa, Lula e o senador falam de uma suposta relação entre o senador Aécio Neves (PSDB) e a construtora Andrade Gutierrez. “Se a Polícia Federal e o Ministério Público, na delação da Andrade Gutierrez, não aparecer o PSDB nem o Aécio, qualquer brasileiro pode dizer que a delação é uma farsa, uma mentira”. Lindberg concorda e afirma que “a história da Cemig com a Andrade Gutierrez é o maior escândalo do Aécio”.


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