Governo quer 'muito' que PMDB fique na base, diz Dilma sobre ameça de desembarque de aliado

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira que o governo quer “muito” que o PMDB permaneça na base, e que o ex-presidente Luiz Inácio Lula não está tratando disso, mas sim os ministros de Dilma. A presidente disse também que está “lutando” para que Lula assuma a Casa Civil. Em visita às obras de infraestrutura de solo para operação de satélite no Centro de Operações Espaciais, em Brasília, Dilma também declarou que está convicta de que o impeachment será barrado na Câmara.

— Nós queremos muito que o PMDB permaneça no governo. Tenho certeza que meus ministros têm compromisso com o governo — disse Dilma, e completou: — O presidente Lula não está tratando disso.

Apesar da pressão dos ministros e de senadores peemedebistas para adiar a reunião do diretório nacional do partido que deverá definir pelo desembarque do governo Dilma, o presidente da legenda, Michel Temer, decidiu manter o encontro para a próxima terça-feira, dia 29. Ele estará em Portugal e a discussão em torno da ruptura será conduzida pelo vice-presidente do PMDB, senador Romero Jucá (RR), dos maiores defensores do desembarque.

A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula estavam pessoalmente empenhados neste adiamento. Lula se reuniu ontem com o presidente do Senado, Renan Calheiros, e com o ex-presidente José Sarney, pedindo a reconstrução da relação do PMDB com o Palácio do Planalto. Dilma também agiu ao reunir os sete ministros peemedebistas e determinar que ajudassem na defesa interna do adiamento do desembarque.

Na segunda-feira, Dilma falou por telefone com Renan, onde fez o mesmo apelo. No fim da tarde de ontem, Temer quase cedeu ao pedido de deixar a reunião do diretório para abril, mas recebeu no Palácio do Jaburu um grupo de 20 deputados que argumentou que havia maioria internamente para manter a reunião na próxima terça-feira.

Dilma diz estar convicta de que o governo tem os 172 votos necessários para derrotar o impeachment no plenário da Câmara.

— A gente tem que esperar o processo acontecer. Eu tenho convicção que nós teremos os votos necessários — declarou.

Quanto ao imbróglio que envolve Lula e a Casa Civil, que deve se estender por mais uma semana, Dilma afirmou que está lutando para que o ex-presidente seja o titular da pasta.

— Não só acredito como estou lutando para tal — disse a presidente, ao ser questionada se ela acredita que Lula voltará ao Planalto como ministro.

Dilma disse que achou “importante” a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki desta terça-feira, que passou para o STF as investigações contra o ex-presidente Lula, e que a divulgação das conversas telefônicas entre ela e o ex-presidente foi uma “violência judicial”.

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