Governo propõe que Cunha seja vice de Dilma, ironiza Moreira Franco

BRASÍLIA – O ex-ministro Moreira Franco, um dos peemedebistas mais próximos ao vice-presidente da República, Michel Temer, ironizou nesta terça-feira a sugestão feita na noite de segunda-feira pelo ministro Jaques Wagner, para renúncia de Temer por conspirar contra a presidente Dilma Rousseff.

— Acho curiosa (essa proposta), porque o governo passou o dia inteiro na Comissão do Impeachment dizendo que os deputados não deveriam votar a favor (do afastamento) porque o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), se tornaria vice. Depois, Jaques Wagner, em nome do governo, propõe que ele seja vice. Estão desorientados — afirmou o peemedebista.

Na noite de segunda-feira, após a aprovação do relatório favorável ao impeachment de Dilma, a cúpula do PMDB se reuniu no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice, para avaliar o cenário e como serão os próximos dias até domingo, quando o processo será votado no plenário da Câmara.

A estratégia do grupo de Temer é a mesma de Dilma: conversar individualmente com deputados dos partidos do centro, como PP, PR, PSD. A cúpula peemedebista também está focada em reduzir ao máximo as dissidências internas. Nas contas do governo, dos 68 deputados do PMDB, de 20 a 25 votarão contra o impeachment. Temer busca diminuir esta margem a menos de dez deputados.

O líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA), afirmou hoje que não há mais ambiente para o vice continuar no cargo se o impeachment de Dilma Rousseff for barrado no plenário no próximo domingo. Florence diz que Temer deu uma “punhalada na democracia pelas costas” e que a relação entre os dois azedou. O petista também ironizou e disse que o anúncio de sua renúncia poderia vir numa de suas mensagens tornadas públicas indevidamente, como o áudio de seu discurso de posse conhecido ontem.

— Ele fez uma manifestação pública, se comportou como se fosse o dia seguinte do impeachment. Seria um mandato sem voto. Não sei se vai se sentir à vontade para continuar – disse Florence, que, perguntado se achava que Temer renunciaria, respondeu:

— Acho que vai renunciar.

— A relação azedou.

Florence diz que o governo trabalhará voto a voto dos parlamentares ainda indecisos e diz que cada lado tem a sua conta.

— Eles (pró-impeachment) dizem ter 350 votos. Nós acreditamos ter 220. Essa conta não fecha.

PRAZO DE ENTREGA DE CARGOS SE ENCERRA

Nesta terça-feira, completou o prazo de 30 dias definido pela convenção do PMDB, no dia 12 de março, para que peemedebistas com cargos no governo se exonerassem, entre eles, seis ministros. A cúpula do partido decidiu não fazer nenhuma pressão neste momento, deixando qualquer decisão para depois de domingo.

— Voltamos a trabalhar a questão da unidade interna — disse um dirigente peemedebista,

Permanecem aliados ao governo os ministros Eduardo Braga, Helder BArbalho, Kátia Abreu, Marcelo Castro, Celso Pansera e Mauro Lopes. Os três últimos são deputados e se licenciarão dos ministérios para votarem contra o impeachment no domingo.

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