Filme ‘Mulheres no poder’ estreia um dia após votação do impeachment

RIO — Quis o destino que o longa-metragem “Mulheres no poder”, de Gustavo Acioli, seja lançado em 12 de maio, um dia depois da votação da abertura do processo de impeachment contra Dilma Rousseff no Senado, que pode afastá-la da Presidência por até 180 dias. O diretor e roteirista Gustavo Acioli, entretanto, garante que a trama, protagonizada por uma senadora em primeiro mandato, interpretada por Dira Paes, e uma ministra da Saúde, por Stella Miranda, que enfrentam acusações e as intempéries do poder, não foi inspirada em personagens reais.

— A política é um meio onde os homens predominam, e pensar em um universo totalmente ocupado por mulheres daria graça e criaria um contraste que me permitiria criticar o mundo político — explica o diretor Acioli, que se diz um diletante da política.

Há muito interessado na rotina política de Brasília, o diretor passou a acompanhá-la mais de perto, chegando a assistir sessões inteiras de comissões parlamentares, para ajudar no roteiro do filme.

— “Mulheres no poder” não é um retrato do que estamos vivendo agora: ele fala sobre a cultura política que temos há 200 anos, desde a independência, e procura colocar em debate os nossos vícios, como o patrimonialismo, o compadrio e a confusão entre público e privado — critica o diretor.

O roteiro começou a ser escrito em 2009, mas as filmagens só se concretizaram no começo de 2014. A atriz Milena Contrucci Jamel, que interpreta uma assessora da ministra corrupta, conta que, na época, ninguém previa que poderia haver uma ligação tão forte entre o filme e a realidade da situação brasileira.

— O tema caiu como uma luva no momento atual, mas o filme fala sobre práticas de corrupção que também aconteceram em governos passados — conclui Jamel.

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