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Filha de ex-presidente da Eletronuclear diz não saber que assinava recebimento de propina

Da redação | 29/04/2016 16:30

RIO – Ana Cristina da Silva Toniolo, filha do ex-presidente da Eletronuclear Othon Luiz Pinheiro da Silva, negou nesta sexta-feira ter conhecimento que os contratos que assinava como sócia da Aratec eram contratos fictícios para recebimento de propina. A Aratec é uma das empresas apontadas pela Operação Lava-Jato que seria usada pelo almirante para recebimento de dinheiro ilícito.

Ana Cristina prestou depoimento nesta sexta-feira na 7ª Vara Criminal Federal, onde corre ação que investiga o pagamento de propina à Eletronuclear. Ela disse que se tornou sócia da Aratec em 2005, com 1% do capital social. O pai tinha os 99% restantes. Naquele ano, como o pai assumiu a presidência da Eletronuclear, Ana Cristina ficou à frente da companhia, a pedido do pai.

Desde então, ela passou a assinar contratos supostamente prestados pela Aratec. Entre eles com a CG Consultoria, de Carlos Galo, e J Nobre, de José Nobre, também apontados pela Operação Lava-Jato como parte do esquema de recebimento de propina.

Para alguns contratos, Ana Cristina produzia estudos feitos, segundo ela própria, a partir de dados compilados da internet, que eram entregues como parte do serviço prestado pela Aratec. Perguntada se não desconfiava da quantia elevada paga pelos estudos, Ana Cristina disse que não.

— Em 2009, meu pai me ligou e disse que o Carlos (Galo) ia entrar em contato a respeito de um trabalho feito por ele. Disse que o Carlos me daria as diretrizes e pediu que fizesse o que ele mandasse. Era amigo de longa data do meu pai. Nunca considerei o meu estudo como sendo o projeto em si, e sim um relatório final.

Perguntado por que nunca questionou o pai e fazia tudo o que ele pedia, respondeu: “obediência”.

A obediência de Ana Cristina ao pai atravessou fronteiras. Em 2014, ela a irmã pegaram um avião rumo a Paris onde teriam uma reunião com um representante de uma empresa que estaria interessada em comercializar em grande escala as turbinas que Othon da Silva desenvolvia em um projeto pessoal paralelamente à presidência da Eletronuclear.

Nessa época, Othon já havia deixado a sociedade da Aratec. Ana Cristina e a irmã eram as sócias. O encontro, segundo Ana Cristina, foi intermediado por um representante de um banco sediado em Luxemburgo. Perguntada se tinha conhecimento de que havia conflito de interesse entre o projeto da turbina e o cargo de presidente da Eletonuclear e por que, aos 50 anos, não questionava o fato de ser enviada pelo pai ao exterior representar um projeto que era dele e não dela, Ana Cristina voltou a dizer que fazia o que o pai pedia, sem questionamentos.

— Ele sempre disse que o projeto pessoal não interferia na Eletronuclear. Pelo histórico do meu pai… (não questionei).

Segundo Ana Cristina, ela não recebia qualquer remuneração pelo trabalho administrativo na Aratec. A parte que lhe cabia no dinheiro recebido pela empresa era referente a trabalhos de tradução. Engenheira mecânica e fluente em inglês, ela afirmou que ganhava a vida fazendo traduções para clientes de engenharia. Disse ainda se recorda de um trabalho prestado para a Andrade Gutierrez feito em 2005, mas afirmou não se recordar do valor.

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