Ex-tesoureiro do Partido Progressista é denunciado na Lava-Jato

SÃO PAULO – O Ministério Público Federal (MPF) denunciou o ex-tesoureiro do Partido Progressista (PP) João Claudio Genu por ter recebido mais de R$ 6 milhões em propina desviada da Petrobras. Ele era o principal assessor do ex-deputado José Janene, morto em 2010, uma das peças-chave na montagem do esquema. Genu é acusado dos crimes de pertinência à organização criminosa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo valores provenientes do esquema instalado na diretoria de abastecimento da estatal.

Os procuradores da Lava-Jato também ofereceram denúncia contra Lucas Amorin Alves, Jayme Alves de Oliveira Filho, Rafael Ângulo Lopes e Carlos Rocha (“Ceará”) pela participação no esquema de corrupção da Petrobras, além de Cláudia Contijo Genu, a mulher de Genu, pelo crime de lavagem de dinheiro. Ele foi preso preventivamente na 29ª fase da operação Lava-Jato, chamada de “Repescagem”.

Segundo as investigações, Genu era um dos beneficiários e articuladores do esquema, recebendo um percentual fixo da propina destinada ao PP. Como provas, o MPF apresentou planilhas de propina, depoimentos de colaboradores, e-mails e conversas por aplicativo de mensagens que comprovam a influência de Genu nos negócios do grupo, dentre outras evidências. Foram identificadas também diversas visitas de Genu a Alberto Youssef, em registros da portaria dos escritórios do doleiro, entre 2011 e 2014.

LAVAGEM DE DINHEIRO COM COMPRA DE JOIAS

Ainda é atribuído a Genu o crime de corrupção passiva, por ter atuado com Paulo Roberto Costa, então diretor de abastecimento da Petrobras, para solicitação e aceitação de propina entre 2007 e 2012, correspondente a 1% dos contratos celebradoS entre a área de abastecimento da companhia e as empreiteiras Engevix, Galvão Engenharia, Camargo Corrêa, UTC Engenharia, Mendes Júnior e OAS.

Segundo investigadores, as empreiteiras fechavam contratos fictícios com empresas de fachada de Youssef, em montante que chegou a mais de R$ 62 milhões. Logo depois, Youssef fazia saques em espécie ou operações de dólar-cabo para disponibilizar recursos aos beneficiários finais do esquema criminoso. O dólar-cabo permite troca de recursos entre dois parceiros, no Brasil e no exterior, como se fosse um banco paralelo de compensações, sem a necessidade de movimentar o dinheiro de fato. Funciona na base da confiança.

Segundo a denúncia, do valor total desviado entre meados de 2008 e 3 de julho de 2013, Genu recebeu, diretamente, os valores de R$ 4 milhões, R$ 475 mil e R$ 1 milhão, por intermédio de remessas periódicas de dinheiro em espécie feitas por Youssef. Para concretizar o negócio, na maioria das vezes, o doleiro se servia dos emissários Rafael Angulo, Jayme Alves e Carlos Rocha, o “Ceará”, todos denunciados por corrupção passiva. Em outros momentos, o doleiro também utilizava a estrutura de lavagem de dinheiro montada no Posto da Torre, em Brasília, para o envio de propina. Neste caso, Genu contou com a ajuda do seu sócio, Lucas Amorin Alves, também denunciado, para a retirada dos valores no local.

O ex-tesoureiro do PP e sua mulher, Cláudia Contijo Genu, também foram denunciados pelo crime de lavagem de dinheiro. De acordo com o MPF, para ocultar os recursos ilícitos e dar aparência lícita a eles, Genu disponibilizou recursos em espécie para Cláudia adquirir joias no valor de R$ 134 mil em uma loja especializada em Brasília, entre 2013 e 2014. Elas não foram declaradas pelo casal, que não teria recursos para a compra nem declarou os bens à Receita Federal. Para o MPF, Cláudia tinha conhecimento direto da procedência do dinheiro, considerando que, na época, Genu já tinha sido condenado no processo do Mensalão pelo saque em espécie de aproximadamente R$ 1,1 milhão das contas das empresas do ex-publicitário Marcos Valério — um dos operadores daquele esquema.

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