Ex-Governador do Ceará protocola pedido de impeachment contra Michel Temer

O ex-governador do Ceará, Cid Gomes (PDT), protocolou, nesta sexta-feira, um novo pedido de impeachment contra o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) na Câmara dos Deputados. O argumento do também ex-ministro da Educação foi o de que o peemedebista teria cometido crime de responsabilidade fiscal — apesar de não ter incluído na denúncia a assinatura de decretos orçamentários sem autorização do Congresso, as chamadas “pedaladas fiscais”, argumento usado no pedido em análise pela Casa sobre a presidente Dilma Rousseff (PT).

O ex-governador também pede que, por haver no documento citações diretas ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o processo seja analisado pelo vice-presidente da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), aliado do peemedebista. Esse é o quarto pedido de impeachment apresentado à Casa. Dois já foram arquivados e um, peticionado pelo deputado Cabo Daciolo (PTdoB-RJ), está em processo de análise.

O que acontece se Michel Temer for afastado do cargo juntamente com a presidente Dilma.

O ex-governador citou como justificativa para o pedido de impeachment denúncias envolvendo Temer enquanto vice-presidente da República e na condição de presidente do PMDB. Ele cita no documento, entre outras coisas, denúncias feitas pelo ex-líder do governo no Senado, Delcídio Amaral (Sem partido-MS), e acusações feitas na Operação Catilinárias, instaurada a partir de provas obtidas na Lava-Jato. Nela, segundo o procurador geral da República, Rodrigo Janot, Temer teria recebido R$ 5 milhões do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro. A menção do pagamento ao vice-presidente está em uma das mensagens de texto apreendidas no telefone de Pinheiro, condenado a 16 anos de prisão pelo juiz Sérgio Moro. Numa troca de mensagem entre ele e o presidente da Câmara, Cunha reclama que o empreiteiro pagou os R$ 5 milhões de uma vez a Temer, tendo adiado o pagamento à “turma”.

Outro argumento que consta do pedido de Cid Gomes é a suposta indicação de Jorge Zelada para a diretoria Internacional da Petrobras pelo vice-presidente, em substituição a Nestor Cerveró. E a indicação de João Henriques para a diretoria da BR Distribuidora, citado pelo senador Delcídio como “apadrinhado” de Temer, e que seria o “principal operador” de um esquema de aquisição ilícita de etanol entre 1997 e 2001.

“Não pode o denunciado, valendo-se da condição de Vice-Presidente da República, deixar de ser responsabilizado pelos fatos relativos à gestão do governo, do qual também foi construtor. Como pode o Vice-Presidente se eximir completamente dos rumos escolhidos pelo Governo Federal nos assuntos relativos às suas políticas estruturantes?”, escreve o ex-governador na denúncia apresentada.

‘PMDB É APERFEIÇOADOR DA PRÁTICA DE ACHAQUE’

Cid Gomes comentou também as declarações do ministro do STF, Luís Roberto Barroso, que criticou a possibilidade de o PMDB governar o país. O pedetista afirmou que o PMDB é o “aperfeiçoador da prática de achaque” em curso no Brasil. Ele disse ainda que não se pode esperar de um eventual governo Temer uma boa gestão.

— Com todo o respeito, quem melhor descreve isso é o ministro Barroso. São essas as alternativas que o Brasil tem? Certamente não podemos esperar de uma gestão que tem à frente Michel Temer, presidente de um partido que é o precursor e o aperfeiçoador de uma prática de achaque do serviço publico nacional, não podemos esperar de um comando de um partido como esse uma boa gestão. Quero como cidadão demonstrar minha indignação — afirmou.

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