Empresário confirma pagamento citado por Machado, mas nega que fosse propina

RIO – O empresário German Efromovich, presidente do Conselho da Avianca Holding e membro do Conselho de Administração do Estaleiro Eisa, confirmou nesta segunda-feira, em entrevista coletiva no Rio, o conteúdo da delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, mas disse que não cometeu qualquer ato ilícito ao depositar R$ 28 milhões na conta da família Machado no HSBC da Suíça referente a uma multa contratual.

Em depoimento à força-tarefa da Operação Lava-Jato, Machado afirmou que pediu propina ao empresário, mas Efromovich negou o pagamento e indicou que estaria disposto a apresentar investimentos não relacionados à Transpetro. O ex-presidente da Transpetro declarou que apresentou seu filho, Expedito, ao empresário e que daí resultou um acordo de investimento em campos de Petróleo no Equador. Efromovich disse não ver conflito de interesses em fazer negócios com um fundo de investimentos representado por Expedito enquanto mantinha contrato com a Transpetro.

O empresário confirmou que Machado fez um pedido de propina depois que o contrato já tinha sido assinado, em novembro de 2007.

— Quando ele (Machado) me pediu propina, eu disse que eu não dou dinheiro para político — afirmou.

Depois de negar-se a pagar a vantagem indevida, Efromovich declarou que foi apresentado ao filho do ex-presidente da Transpetro que representava um fundo de investimentos inglês. Expedito, que também fez delação premiada, contou aos procuradores que foi firmado um acordo de investimento com a empresa HR Financial Services, cujo controlador era Efromovich e que a sociedade era vinculada à conta no HSBC da Suíça da família Machado.

De acordo com a delação de Machado e do filho, se Efromovich não quisesse que tal negócio ocorresse, poderia pagar uma multa de cancelamento cujo valor era aproximado ao montante solicitado pelo ex-presidente da Transpetro como propina. Expedito afirmou que Efromovich utilizou o mecanismo previsto no acordo de cancelamento de opção de compra e pagou aproximadamente R$ 28 milhões ao longo de 2009 e 2013 que foram depositados na conta do HSBC na Suíça.

Efromovich disse na entrevista coletiva que houve o cancelamento do contrato e que o valor foi pago, mas disse que isso não tem qualquer relação com o pedido de propina feito antes. Segundo ele, não houve nenhum ato ilícito.

Ele disse também que não foi chamado a prestar explicações.

— Se houvesse alguma coisa, que não tem, alguém teria chamado para depor. Nunca ninguém nos chamou a falar nada porque não há nada — disse o empresário. — Por que eu vou pagar comissão dois, três anos depois de um contrato que eu ganhei na mesa? A troco do quê? Teria que ser muito idiota.

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