Em reunião da Mesa, Maranhão faz autocrítica e pede desculpas aos colegas

BRASÍLIA – Na reunião que a Mesa Diretora da Câmara convocou, nesta terça-feira, para decidir uma forma de afastar do cargo o presidente interino da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), o deputado fez uma autocrítica e pediu desculpas pela decisão de anular parte do processo de impeachment. Os titulares da Mesa falaram em seguida e criticaram o interino, além de sugerirem que ele renuncie ao cargo para salvar o mandato de deputado federal. Nesta segunda-feira, antes de decidir revogar a decisão que havia proferido horas antes, Maranhão se encontrou com aliados do presidente afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Em tom de “cobrança” e “ameaça”, como descreveram alguns dos presentes, a Mesa sugeriu a Maranhão que renuncie ao cargo e que, assim, sejam convocadas novas eleições para a vice-presidência da Casa. O eleito assumiria imediatamente como presidente interino da Câmara, já que, se Cunha não renunciar, não há vacância do cargo, e cabe ao vice-presidente assumir interinamente o cargo – até a volta de Cunha, caso ele seja cassado ou até as eleições de 2017.

Uma outra opção dada pela Mesa ao deputado é que ele seja afastado do mandato por até 120 dias, prazo máximo de afastamento de um parlamentar, e assumiria em seu lugar o 2° vice-presidente da Casa, deputado Giacobo (PR-PR). Após os 120 dias, Maranhão voltaria ao cargo, mas Giacobo acredita que, nesse tempo, poderia andar contra ele uma representação no Conselho de Ética ou Cunha poderia renunciar. O interino disse que comunicaria a Mesa sobre sua decisão entre hoje e amanhã.

— Pedimos que ele seja rápido na decisão para estancar essa ferida — disse Giacobo.

Os titulares aconselharam o interino, por unanimidade, que renuncie ao cargo. A voz dissonante foi a da deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), que criticou o tom dos colegas e disse que a Mesa tinha dois pesos e duas medidas, ao ter mantido por tanto tempo “intocável” o presidente afastado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

— Aleguei que a Mesa usou dois pesos e duas medidas, o Cunha, que por 1 ano e meio prejudicou o funcionamento dessa Casa, nunca ouvi qualquer questionamento a ele daquele colegiado e muito menos sugeriram que ele renunciasse ou se afastasse do cargo, portanto não entendi o tratamento. Disse que me constrangia pressionar alguém eleito pelo plenário e que não tínhamos autoridade para propor que ele fizesse isso. Disse que a solução passa pela conclusão do Conselho de Ética. Enquanto não se resolver a situação do presidente afastado, esses problemas do substituto vão continuar — disse Erundina.

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