Em mais uma agenda no Planalto, Dilma assina atos para reforma agrária

BRASÍLIA — Com um auditório lotado, a presidente Dilma Rousseff recebeu quilombolas no Palácio do Planalto para assinar atos sobre a reforma agrária, nesta sexta-feira. É a primeira vez neste ano em que são realizadas três cerimônias abertas no palácio em dias consecutivos — todas defendendo seu mandato. Desde o último dia 17, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse na Casa Civil, derrubada pela Justiça logo depois, e a comissão de impeachment foi instalada, o governo está empenhado em convidar militantes, juristas, artistas e beneficiários de programas sociais para dentro do palácio.

Na última quarta-feira, Dilma anunciou a nova fase do programa Minha Casa Minha Vida: contratação de 2 milhões de casas, um milhão a menos do que o prometido. A cerimônia para as novas unidades habitacionais teve militantes uniformizados e com bandeiras. Um dia depois, na quinta, artistas e intelectuais vieram para um ato “contra o golpe”, a exemplo de um evento com juristas no palácio, mas, desta vez, em número bem menor de presentes. Nesta sexta, o público volta a ser de beneficiários diretos de programas sociais e de apoiadores do PT. Anteriormente, o plano do governo era que a presidente viajasse aos Estados Unidos na quinta para a IV Cúpula de Segurança Nuclear, em Washington, mas a ida foi cancelada.

No dia 16 de março, Dilma havia convocado uma entrevista coletiva de última hora, com minutos de antecedência. Lula, que tinha sido conduzido coercitivamente pela Polícia Federal a depor duas semanas antes, já constava em nota do Planalto como novo ministro da Casa Civil, e a presidente disse que ele teria “os poderes necessários” em seu governo. Antes do dia acabar, veio o primeiro protesto em frente ao palácio, e foi divulgada a conversa telefônica de Dilma e Lula em que ela pede que ele usasse o termo de posse somente “em caso de necessidade”. A partir daí, as cerimônias no palácio passaram a ter gritos de “Não vai ter golpe” e punhos em riste pela permanência de Dilma. A primeira grande mostra veio no dia seguinte, quando Dilma e Lula desceram a rampa para a posse que traria o ex-presidente de volta ao Planalto.

O governo também preocupou-se em manter ativa a agenda positiva, a fim de mostrar resultados de ações do governo. No dia 23, houve anúncio de investimentos para combater o mosquito Aedes aegypti. O discurso de Dilma foi protocolar: não mencionou a crise política. Seus ministros peemedebistas, Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) e Marcelo Castro (Saúde) defenderam abertamente o mandato da presidente, quando as negociações para o desembarque do PMDB do governo já estavam avançadas.

Em seu discurso nesta quinta, depois de duas semanas de fortes falas, a presidente mostrou-se completamente alinhada à defesa contra o impeachment. Estava à vontade com artistas e intelectuais, e falou de modo ponderado, mas contundente. Comparou a intolerância a petistas ao nazismo e disse que uma das razões de desejarem sua renúncia é o fato de acharem que as mulheres são “frágeis”.

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