Em editorial, ‘The Economist’ defende a renúncia de Dilma Rousseff

RIO – Em editorial já disponível na internet e intitulado “Hora de ir embora”, a revista britânica “The Economist” pede a saída de Dilma Rousseff da Presidência da República. Segundo a publicação, Dilma deve renunciar ao cargo após nomear o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Casa Civil, no que “parece ser uma tentativa grosseira de impedir o curso da Justiça”. A revista diz que a saída de Dilma abriria um novo começo no país.

“Esta publicação tem argumentado há bastante tempo que o sistema judicial ou os eleitores, e não políticos com interesses próprios, devem decidir o destino da presidente. Mas a nomeação de Lula por Dilma parece ser uma tentativa grosseira de impedir o curso da Justiça. Mesmo que não tenha sido essa sua intenção, esse seria seu efeito”, diz parte do texto.

A publicação, por outro lado, argumenta que continua acreditando que, na ausência de provas de crimes, o impeachment de Dilma é injustificável. A “The Economist” afirma que a tentativa de usar as chamadas pedalas fiscais para justificar o impeachment é um pretexto para retirar do posto uma “presidente impopular”. Além disso, a ideia de que o Congresso vai ouvir as ruas abriria um precedente preocupante, já que, segundo a revista, “uma democracia representativa não deveria ser governada por protestos e sondagens de opinião”.

A “The Economist” lista três alternativas para a saída de Dilma com fundamentação legítima. A primeira seria mostrar que Dilma obstruiu as investigações sobre a corrupção na Petrobras. As alegações de Delcídio Amaral, em delação premiada, ainda não foram comprovadas e a presidente as nega. A segunda seria uma decisão da Justiça Eleitoral para convocar novas eleições presidenciais, se descobrir que a campanha de reeleição da petista foi financiada com propina do esquema de corrupção na Petrobras. Por fim, a terceira e melhor saída, segundo a revista, é Dilma renunciar.

O editorial também destaca que o vice-presidente Michel Temer, que assumiria o cargo no caso de renúncia, está envolvido no escândalo de corrupção na estatal, tanto quanto o PT. Para a revista, uma nova eleição daria aos eleitores a oportunidade de delegar as reformas a um novo líder.

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