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Doleiro ligado a Cunha e grupo J&F são alvos de nova fase da Lava-Jato

Da redação | 01/07/2016 12:30

BRASÍLIA e SÃO PAULO – A Polícia Federal deflagrou a operação “Sépsis” na manhã desta sexta-feira e cumpriu mandados em São Paulo, Rio, Pernambuco e Distrito Federal. Um dos alvos da nova fase da Lava-Jato é o doleiro Lucio Bolonha Funaro, ligado ao presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os agentes da PF cumprem também mandados de busca e apreensão em uma empresa do grupo J&F, em São Paulo, a Eldorado, do ramo de celulose, na casa do presidente do grupo, Joesley Batista. Segundo o colunista Lauro Jardim, Funaro foi preso em sua casa, no bairro dos Jardins, na capital paulista. Funaro é acusado de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. As investigações relacionas estariam a esses crimes estariam entre os fundamentos que levaram o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, a decretar a prisão dele.

O nome de “Sépsis” faz referência ao quadro de infecção generalizada, quando um agente infeccioso afeta mais de um órgão. A ação teve como origem a delação de Fábio Cleto, um dos ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal. Numa série de depoimentos da delação, Cleto acusa Funaro e Eduardo Cunha de cobrar propina para intermediarem a liberação de recursos do Fundo de Investimentos (FI) do FTGS.

O lobista Milton Lyra, supostamente ligado ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também é um dos alvos da investigação. Agentes da PF estão em sua casa, no Lago Sul, de Brasília, com mandados de busca e apreensão. Há também buscas na casa do empresário Joesley Batista, no Jardim Europa, em São Paulo. A casa do empresário Henrique Constantino, da família controladora da companhia aérea Gol, também foi alvo de busca e apreensão na operação. Funaro foi preso em seu apartamento nos Jardins, em São Paulo. Foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) para fazer exame de corpo delito e depois para a sede da PF em São Paulo, onde chegou por volta das 11h. O doleiro vai seguir para Brasília em voo comercial, na tarde desta sexta-feira.

No total, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva. As ações fora realizadas nas seguintes cidades: 10 mandados de busca e apreensão e 1 de prisão preventiva em SP; 1 mandado de busca e apreensão em Sorocaba (SP); 1 mandado de busca e apreensão em Lins (SP); 3 mandados de busca e apreensão no Recife (PE); 2 mandados de busca e apreensão no Rio e 2 mandados de busca e apreensão em Brasília (DF).

SUBSTITUIÇÃO NA DEFESA

Ontem, às vésperas da prisão, Funaro decidiu trocar de advogado. A defesa dele, que estava a cargo do advogado Antônio Mariz, foi transferida para Antonio Figueiredo Basto. Este seria um sinal de que está mesmo disposto a fazer acordo de delação premiada. Basto é o advogado com maior número de acordos de delação na Lava-Jato.

A operação faz parte de investigações abertas após delação premiada do ex-vice-presidente da Caixa Econômica Fábio Cleto, que havia sido indicado para o cargo por Cunha.

Em maio, O GLOBO publicou que, para os investigadores, Funaro é o guardião dos segredos de Cunha, visto como o principal parceiro dos negócios suspeitos de Cunha, a bala de prata contra o parlamentar.

Desde que a relação entre Funaro e Cunha tornou-se pública, em 2005, quando o doleiro teve de explicar à CPI dos Correios as razões que o levaram a pagar, mensalmente, aluguel de R$ 2.200 e condomínio de mais de R$ 600 para o deputado no flat Blue Tree Towers, em Brasília, ambos tentam escondê-la com negativas recorrentes e ações judiciais contra jornalistas que insistem em mostrá-la. Mas as investigações da Lava-Jato jogaram por terra essa estratégia ao produzir uma coleção de provas de que a parceria é profunda e ativa.

Na visão dos investigadores, Funaro é o gestor financeiro do amigo político. Ao perceber o cerco se fechando, o doleiro, conhecido pelo temperamento impulsivo, teria começado a pressionar possíveis testemunhas da cobrança de propinas a empreiteiras. Uma delas está no horizonte dos investigadores. Eles tentam convencê-la a contar o que sabe. Por lei, o constrangimento de testemunha é considerado obstrução à marcha processual. Situação parecida levou à prisão o ex-senador do PT-MS Delcídio Amaral ano passado.

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