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Doleiro ligado a Cunha e grupo J&F são alvos de nova fase da Lava-Jato

Da redação | 01/07/2016 11:50

SÃO PAULO E BRASÍLIA – A Polícia Federal deflagrou uma nova operação na manhã desta sexta-feira e cumpre mandados em São Paulo, Rio, Pernambuco e Distrito Federal. Um dos alvos da nova fase da Lava-Jato é o doleiro Lucio Bolonha Funaro, ligado ao presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os agentes da PF cumprem também mandados de busca e apreensão em uma empresa do grupo J&F, em São Paulo, a Eldorado, do ramo de celulose, na casa do presidente do grupo, Joesley Batista. Segundo o colunista Lauro Jardim, Funaro foi preso em sua casa, no bairro dos Jardins, na capital paulista. Funaro é acusado de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. As investigações relacionas estariam a esses crimes estariam entre os fundamentos que levaram o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, a decretar a prisão dele.

A operação foi batizada de “Sépsis” e faz referência ao quadro de infecção generalizada, quando um agente infeccioso afeta mais de um órgão.

O lobista Milton Lira, supostamente ligado ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também é um dos alvos da investigação. Agentes da PF estão em sua casa, no Lago Sul, de Brasília, com mandados de busca e apreensão. Ontem, às vésperas da prisão, Funaro decidiu trocar de advogado. A defesa dele, que estava a cargo do advogado Antônio Mariz, foi transferida para Antonio Figueiredo Bastos. Este seria um sinal de que está mesmo disposto a fazer acordo de delação premiada. Basto é o advogado com maior número de acordo de delação na Lava-Jato.

A operação faz parte de investigações abertas após delação premiada do ex-vice-presidente da Caixa Econômica Fábio Cleto, que havia sido indicado para o cargo por Cunha.

Em maio, O GLOBO publicou que, para os investigadores, Funaro é o guardião dos segredos de Cunha, visto como o principal parceiro dos negócios suspeitos de Cunha, a bala de prata contra o parlamentar.

Desde que a relação entre Funaro e Cunha tornou-se pública, em 2005, quando o doleiro teve de explicar à CPI dos Correios as razões que o levaram a pagar, mensalmente, aluguel de R$ 2.200 e condomínio de mais de R$ 600 para o deputado no flat Blue Tree Towers, em Brasília, ambos tentam escondê-la com negativas recorrentes e ações judiciais contra jornalistas que insistem em mostrá-la. Mas as investigações da Lava-Jato jogaram por terra essa estratégia ao produzir uma coleção de provas de que a parceria é profunda e ativa.

Na visão dos investigadores, Funaro é o gestor financeiro do amigo político. Ao perceber o cerco se fechando, o doleiro, conhecido pelo temperamento impulsivo, teria começado a pressionar possíveis testemunhas da cobrança de propinas a empreiteiras. Uma delas está no horizonte dos investigadores. Eles tentam convencê-la a contar o que sabe. Por lei, o constrangimento de testemunha é considerado obstrução à marcha processual. Situação parecida levou à prisão o ex-senador do PT-MS Delcídio Amaral ano passado.

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