Dilma vai a São Paulo para se encontrar com Lula

BRASÍLIA — A presidente da República, Dilma Rousseff, está a caminho de São Paulo neste sábado para se encontrar com o seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. A reunião não faz parte da agenda oficial de Dilma. Ela deve visitar Lula na casa dele em São Bernardo do Campo, um dia após a condução coercitiva dele para prestar depoimento na 24ª fase da Operação Lava-Jato.

Dilma já fez um pronunciamento ontem no qual manifestou “inconformismo” com a ação contra o ex-presidente. Disse ainda que a medida era “desnecessária”, pois Lula já teria comparecido diversas vezes de forma voluntária para prestar esclarecimentos. A presidente chegou a cogitar participar de um evento de apoio a Lula realizado na noite de sexta-feira, mas acabou não comparecendo. Ministros foram escalados para ir a São Paulo representá-la.

Em frente ao prédio onde Lula mora, cerca de 250 manifestantes, segundo a Polícia Militar, fazem vigília em solidariedade ao ex-presidente. Os apoiadores do PT estão vestidos com camisetas vermelhas e carregando bandeiras do Brasil.

Por volta das 9 horas os policiais interditaram uma das faixas da avenida. Uma faixa com os dizeres “Lula o mais honesto e honrado deste país”, foi colocada na entrada do prédio. Na maior parte do tempo, o clima é pacífico, mas eventualmente os manifestantes hostilizam as equipes de televisão da imprensa. Os presentes entoam o tradicional canto: “Lula, guerreiro do povo brasileiros” e também “Lula é meu amigo, mexeu com ele, mexeu comigo”.

A modelo Ju Isen, conhecida como a musa das manifestações contra o governo, foi protestar a favor da Operação Lava-Jato e causou confusão. Vestindo uma camiseta do Brasil, a modelo passou em frente aos protesto pró-Lula acompanhada de um segurança carregando uma bandeira do país.

Os favoráveis ao presidente lançaram garrafas d’ água e gritaram palavras de ordem contra a moça. A Polícia Militar teve que intervir, e a modelo deixou o local em um táxi.

— Como musa das manifestações, quis vir fazer um protesto pacífico, mas como não consegui estou indo embora – disse.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, que está na frente da casa de Lula, a operação contra o ex-presidente foi exagerada.

— O jeito com que o ex-presidente foi levado foi exagerado e violento. A Lava-Jato tem como mérito o combate à corrupção, mas também tem o demérito, na minha opinião, de estar atuando politicamente em vários momentos — disse o sindicalista.

A visita de Dilma a Lula é um gesto da presidente em um momento em que os dois foram acusados pelo ex-líder do governo Delcídio Amaral, que fechou acordo de delação premiada com o Ministério Público. A presidente criticou o vazamento da delação e afirmou que caso se confirmem as declarações de Delcídio elas seriam movidas por “vingança”.

ver mais notícias