Dilma decide ir a Nova York nesta quinta-feira

Em meio ao processo de impeachment, cuja abertura foi aprovada na Câmara no domingo e agora está em andamento no Senado, a presidente Dilma Rousseff decidiu que irá viajar a Nova York nesta quinta-feira para participar da Cerimônia de Alto Nível de Assinatura do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, na ONU. Conforme antecipou o colunista Lauro Jardim em seu blog, Dilma voltará a denunciar o que chama de “golpe”. Ela só deverá retornar a Brasília no domingo, véspera da instalação da comissão que analisará seu afastamento no Senado.

Nesta terça-feira, a presidente concedeu entrevista a correspondentes internacionais no Palácio do Planalto e voltou a usar os microfones para criticar, ainda que indiretamente, o vice-presidente Michel Temer e o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), por manobras ‘golpistas’. Dilma atacou a movimentação do PMDB e de outros partidos de oposição por sondagens de nomes para um futuro ministério sob o governo Temer e citou a existência de uma “conspiração” para o grupo chegar ao poder sem passar por eleições.

A estratégia de Dilma de falar aos estrangeiros foi adotada na segunda-feira conjuntamente com a resolução de falar aos jornalistas brasileiros. A ideia, segundo auxiliares, é que a presidente dê a sua versão dos fatos. Na segunda, Dilma deu sua primeira entrevista coletiva, neste formato, do ano, na qual disse que se sente injustiçada com o resultado da votação da Câmara.

Naquele mesmo dia, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) mandou e-mail para todos os correspondentes estrangeiros registrados no Brasil. Estiveram na coletiva 26 veículos de toda parte do mundo: Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Argentina, México, Espanha, Alemanha, China, Japão, Emirados Árabes e República Checa. Segundo a Secom, veículos de 56 países contataram a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) interessadas em retransmitir o sinal da entrevista de Dilma.

O interesse dos veículos do exterior na crise brasileira vem aumentando exponencialmente. O governo alega que a imprensa estrangeira tem feito uma cobertura “mais equilibrada” que a brasileira e estaria dando maior espaço aos argumentos da defesa da presidente.

Em resposta ao que considerou uma tentativa de “vitimização” por parte da presidente Dilma Rousseff, o PMDB coordenou a divulgação, nesta terça-feira, de nota de repúdio assinada por 14 partidos favoráveis ao impeachment. No texto, o grupo critica os questionamentos da presidente ao processo conduzido pela Câmara no último domingo e alega que ela procura inverter sua posição de “autora de crime em vítima”. Segundo o texto, Dilma encenou “triste espetáculo” perante correspondentes da imprensa estrangeira ao tentar “desqualificar a soberana decisão da Câmara” na autorização do processo.

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