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Dilma chama de ‘ridícula’ acusação no processo de impeachment

Da redação | 29/04/2016 14:00

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff classificou de “ridícula” a acusação que recebe no processo de impeachment. Em cerimônia no Palácio do Planalto para anunciar a prorrogação de contratos do Mais Médicos, nesta sexta-feira, Dilma também criticou as medidas anunciadas pelo vice-presidente Michel Temer caso ele venha a assumir o governo, alertando para um “grande retrocesso” em um ajuste fiscal que cortaria direitos. A presidente declarou ainda que luta não só para se manter no Planalto, mas para preservar conquistas da população.

– Eu tenho clareza que é ridícula a acusação. Porque o que nós fizemos foi garantir programas sociais como o Plano Safra para a agricultura e o Programa de Sustentação do Investimento para a indústria. Esse processo que está em curso tem um nome: é golpe – defendeu.

A presidente voltou a atacar Eduardo Cunha, presidente da Câmara, e o vice-presidente Michel Temer, mesmo sem citar seus nomes. Temer poderá assumir a Presidência em duas semanas, caso o Senado afaste Dilma da função. Ela repetiu que não praticou atos de corrupção e que tampouco tem “contas no exterior”.

– Qualquer um que se proponha a fazer ajuste fiscal diminuindo as despesas com a saúde da população está propondo um grande retrocesso, indo na contramão do interesse da população – disse a presidente, que acredita ser “muito pior” a eventual medida de Desvinculação de Receitas da União (DRU), que “rasga nossa lei maior”: – Muito pior ainda se ousar eliminar a vinculação obrigatória constitucional dos gastos na área de saúde.

Dilma fez as afirmações para uma plateia predominantemente de médicos e simpatizantes do programa Mais Médicos, para a qual garantiu que sua “principal luta” é para garantir “conquistas históricas”:

 

– A minha luta hoje aqui é para garantir e preservar conquistas históricas da população brasileira, como o Mais Médicos e o Sistema Único de Saúde.

A presidente disse que é “acusada de ter ampliado gastos sociais”, e que, nessa tese, se sente “orgulhosa” de transferir mais renda para a população mais pobre.

– Eu sei que alguns me acusam de ter ampliado os gastos sociais, e me sinto orgulhosa por estar cumprindo um papel de ampliação dos gastos sociais, que, aliás, é obrigação de um presidente eleito pelo voto direto e secreto da população – disse Dilma, referindo-se a um eventual governo de seu companheiro de chapa, Michel Temer, que não será dado pelo voto.

Assim como rebateu o que chamou de “meia verdade” no processo de impeachment, disse que há “falsas verdades” também nas críticas ao Mais Médicos, negando que haja problemas de infraestrutura que justifiquem a ausência de médicos em algumas regiões brasileiras.

– Ninguém pode negar que é possível atender sem estar com toda a infraestrutura completa. Fazendo o quê? Utilizando com eficiência a infraestrutura existente. E isso foi feito – declarou.

Sobre as acusações que embasam o processo de impeachment, Dilma disse que baseiam-se em decretos de suplementação. E usou a mesma metáfora usada por Nelson Barbosa (Fazenda) em sua defesa, na comissão do impeachment no Senado, de que os decretos são como uma lista de supermercado: uma previsão que ao longo do caminho foi alterada.

Na tarde desta sexta-feira, Dilma continuará sua agenda positiva na iminência de ser afastada pelo Senado: assinará decretos de política indigenista, em evento marcado inicialmente para o Ministério da Justiça.

‘MAIS ESPECIALIDADES’ LANÇADO COM ATRASO

O programa Mais Médicos é motivo de orgulho da presidente Dilma Rousseff, plataforma que queria que virasse uma marca de sua gestão. Na campanha de reeleição, em 2014, a petista anunciou a ampliação do programa, com o “Mais Especialidades”, que proveria médicos especialistas em diversas áreas, e uma rede para a realização de exames. Mas, embora o Mais especialidades tenha sido lançado no ano passado, somente agora ele sai do papel.

O Mais Médicos foi criado após os protestos de junho de 2013, como resposta às críticas da população, que demandava melhores serviços em diversos setores, por parte do governo. O programa visava sanar a má distribuição de profissionais em território nacional. Áreas rurais, favelas, terras indígenas e rincões na Amazônia e no sertão contavam com uma cobertura médica inadequada.

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