Denúncia contra Cavendish, Cachoeira e outros 21 é aceita na Justiça do Rio

RIO – O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-presidente da Delta Fernando Cavendish, o empresário Adir Assad, o bicheiro Carlos Augusto Ramos, conhecido como Carlinhos Cachoeira, e outras 20 pessoas. Cachoeira e Assad foram presos na quinta-feira durante a operação Saqueador. Há um mandado de prisão contra Cavendish, mas ele não foi cumprido porque o empresário está fora do país. Agora, todos são réus. O próximo passo do processo será citar os réus para contestar a acusação.

A investigação constatou que os envolvidos, “associados em quadrilha”, usaram empresas fantasmas para transferir cerca de R$ 370 milhões em propina para agentes públicos. Após as quantias serem repassadas às empresas de fachada, por meio de contratos fictícios, os valores eram sacados em espécie para impedir o rastreamento dos destinatários da propina.

Recentemente, o STF autorizou o uso, nas investigações no Rio, de trechos da delação premiada dos ex-executivos da Andrade Gutierrez. Os depoimentos estão sob sigilo, mas, segundo o MPF, demonstram que a Delta era voltada a esquemas de corrupção em obras públicas, especialmente, no Rio.

O MPF ofereceu esta semana denúncia contra Cavendish, Cachoeira, Adir Assad e mais 20 pessoas por envolvimento no esquema de lavagem de verbas públicas. Segundo o órgão, 96,3% do faturamento da Delta entre 2007 a 2012 era oriundo de verbas públicas, totalizando um montante de quase R$ 11 bilhões, a maior parte vindo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit).

De acordo com o MPF, desse montante cerca de R$ 370 milhões foram desviados e lavados por meio de 18 empresas de fachada. A investigação apontou que os pagamentos da Delta às empresas fantasmas aumentaram significativamente em anos eleitorais.

Os responsáveis pela criação dessas empresas foram Cachoeira, Assad e Marcelo Abbud, que se entregou ontem à PF em São Paulo. Também foi preso Cláudio Dias Abreu, ex-diretor regional da Delta no Centro-Oeste e Distrito Federal. Os presos ficarão no Rio.

Cavendish foi para a Europa em 22 de junho. Tácio Muzzi, chefe da Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros, disse ontem que não considerava Cavendish foragido porque aguardava contato da defesa do empresário para saber se ele se entregaria. Mas, segundo o delegado, a Interpol será acionada, se necessário. Na casa de Cavendish, um cofre foi apreendido.

A relação entre Cachoeira e Cavendish veio à tona com a Operação Monte Carlo e a CPI do Cachoeira, em 2012. Após o escândalo, a Delta pediu recuperação judicial.

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