Delcídio renuncia à presidência da CAE dez dias após deixar prisão

BRASÍLIA – Mais de dez dias após deixar a prisão e sob intensa pressão do seu partido, o senador Delcídio Amaral (PT-MS) comunicou nesta terça-feira sua renúncia à presidência da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). O comunicado foi lido por um colega, o senador José Medeiros (PPS-MT), já que Delcídio está de licença médica por 15 dias e, até o momento, não apareceu no Senado.

A renúncia à CAE atende ao pleito do PT para que o senador não crie constrangimentos ao partido e mantenha postura o mais discreta possível para evitar ser abandonado no Conselho de Ética e ter seu mandato cassado. A cúpula petista ameaçou ainda a transformar sua suspensão em expulsão caso trouxesse problemas para a sigla.

Na semana passada, em gesto de “solidariedade” a Delcídio, os integrantes do Conselho de Ética aceitaram a destituição do relator do processo contra o petista, que resultará em atraso de semanas na análise do caso.

Dias antes, em conversa com senadores do PT no local onde está recolhido em prisão domiciliar, Delcídio deixou claro que não aceitará ter seu mandato cassado.

— Só não vou aceitar ir para Curitiba — pontuou Delcídio aos senadores Humberto Costa (PT-PE) e Paulo Rocha (PT-PA), em referência à Justiça Federal do Paraná, onde o juiz Sérgio Moro já emitiu diversas sentenças de condenação no âmbito da operação Lava-Jato.

Na ocasião, Delcídio disse que não pretende criar problemas em relação à presidência da CAE, nem qualquer outro constrangimento ao PT, mas enfatizou que não irá tolerar perder o mandato e, consequentemente, o foro privilegiado.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), também investigada na Lava-Jato, é o nome indicado pelo partido para assumir a presidência da CAE no lugar de Delcídio.

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