Delação de Delcídio acelera sua expulsão do PT, dizem dirigentes

BRASÍLIA – Integrantes do Partido dos Trabalhadores avaliaram, nesta quinta-feira, que o vazamento de trechos da delação premiada que seria do senador Delcídio Amaral (PT-MS), ex-líder do governo no Senado, acelera o processo de expulsão do parlamentar do partido. Delcídio está com a filiação suspensa desde dezembro, quando foi preso acusado de obstrução à Justiça. Na última sexta-feira, em reunião do diretório nacional, o PT decidiu prorrogar a suspensão do parlamentar até o próximo encontro da Executiva, que acontecerá em dois ou três meses. Ele ainda terá que apresentar sua defesa ao partido.

Segundo petistas ouvidos pelo GLOBO, se Delcídio ainda tinha o apoio de alguns parlamentares e dirigentes, a expulsão agora será “inevitável” e referendada por “unanimidade”. Os dirigentes não deverão antecipar, no entanto, a data da reunião. Eles concordam que, caso se mude o rito, isso abrirá margem para questionamentos do senador. Eles também acreditam que as notícias de hoje deverão complicar a situação de Delcídio no Conselho de Ética do Senado, que pode acabar com a cassação do mandato do ex-líder do governo.

— Certamente (acelera o processo de expulsão), mas não vai mudar o rito. Ele vai apresentar a defesa, tem dez dias para isso, e depois vai ser avaliado. Mas certamente isso vai estimular a formação de uma opinião contra ele, tanto no PT quanto no Senado. Muita gente que o defendia certamente não vai fazer mais. Então ajuda a formar uma opinião unânime sobre a expulsão dele, assim como na comissão de ética no Senado. Ele recebe o lugar merecido dele — criticou um membro da direção do PT, sob condição de anonimato.

Nesta quinta-feira, em reunião da direção partidária, o clima era de “incredulidade”. Segundo relatos, os petistas ficaram irritados com o fato de o teor divulgado à imprensa, negado pela equipe do senador, ter atingido mais uma vez o ex-presidente Lula e ter chegado a Dilma, ligando-os ao ex-dirigente da Petrobras Nestor Cerveró, tido como indicação de Delcídio. Isso mostra, segundo eles, “vingança e retaliação contra o PT”, que não o defendeu publicamente. O senador foi criticado, quando de sua prisão, por Lula e pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão.

Na reunião de hoje, petistas voltaram a dizer que ele “nunca deixou de ser um tucano no meio do PT”.

— A primeira impressão é que isso tudo cheira muito à vingança e retaliação contra o PT, por conta da postura dura que o partido teve em relação a ele. Sempre entendemos que ele é próximo do Cerveró, e agora joga ele no colo da Dilma e até do Lula? — afirmou um petista.

Dirigentes do PT acreditam que a delação de Delcídio não será homologada pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), por ser uma delação “confusa” e que serve ao acirramento da luta política. A homologação do acordo, na visão de petistas, “alimenta a tese do impeachment”.

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