Cunha presidiu impeachment com 'cara de pau', diz Dilma

BRASÍLIA – A presidente Dilma Rousseff disse que Eduardo Cunha (PMDB-RJ) presidiu o impeachment com “cara de pau”, e que o deputado vai “antes tarde do que nunca”. Em cerimônia de início da operação na usina de Belo Monte, em Vitória do Xingu (PA) nesta quinta-feira, Dilma criticou o eventual governo Temer, especialmente atacando as supostas novas políticas sociais, dizendo à plateia que esse governo não teria votos. Nesta quinta, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki determinou o afastamento de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) do mandato de deputado federal – e, por consequência, da presidência da Casa.

– A única coisa que eu lamento, mas falo “antes tarde do que nunca”, é que infelizmente ele conseguiu, vocês assistiram, ele presidiu na cara de pau o processo de impeachment na Câmara. Lamentável – disse Dilma, que classificou como “claro desvio de poder” o processo de impeachment e voltou a falar que ele é fruto de uma tentativa de chantagem de Cunha.

– Esse impeachment é um claro desvio de poder, porque ele usa seu cargo para se vingar de nós. Porque nós não nos curvamos às chantagens dele.

Sem citar nomes, Dilma atacou o eventual governo Michel Temer, que pode acontecer já na semana que vem, caso ela tenha o afastamento determinado pelo Senado. A presidente disse aos que a ouviam discursar que eles não votariam em quem quer “jogar para escanteio 36 milhões de brasileiros”, ao se referir a um suposto corte no Bolsa Família sob a equipe de Temer.

– Se falassem para vocês, vocês votariam em quem quer diminuir de 47 milhões para 10 milhões? Querem jogar para escanteio 36 milhões de brasileiros. Não votariam não – afirmou Dilma para uma plateia de trabalhadores da usina e beneficiários, completando: – Ele (o povo) não apoiará aqueles que são contra ele.

Dilma Rousseff disse ainda que há uma tentativa, desse grupo do vice-presidente, de fazer a população “engolir” novas políticas.

– Se é golpe, o que eles querem mesmo? Eles não têm votos para chegar para a população e pedir para a população brasileira engolir as políticas que eles querem. Então, estão fazendo uma eleição direta.

A presidente criticou abertamente o governo Fernando Henrique Cardoso e exaltou as conquistas de seu próprio mandato e de seu antecessor, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mencionou universidades e escolas técnicas feitas no Pará e outros feitos. Dilma afirmou que preferiu priorizar o povo mais pobre em seu governo.

– Escolhi priorizar os interesses do nosso povo. O povo mais pobre, com Minha Casa Minha Vida, Fies, Bolsa Família, ProUni, Pronatec.

Dilma admitiu que a usina de Belo Monte atraiu diversas críticas. O setor ambiental e as organizações que representam povos indígenas foram opositores da obra, que desagradou até a movimentos sociais no começo do mandato de Dilma. A presidente contemporizou a polêmica: disse que as críticas aconteceram por desconhecimento.

– Nós sabemos que essa usina foi objeto de controvérsias. Muito mais pelo desconhecimento do que pelo fato de ela ser uma usina com problemas.

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