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Cunha diz que espera ser absolvido após virar réu pela segunda vez na Lava-Jato

Da redação | 22/06/2016 20:40

BRASÍLIA — O presidente da Câmara afastado do cargo, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse, em nota, que espera ser absolvido no processo instaurado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra ele na nesta quarta-feira. Cunha afirmou que respeita a decisão da Corte e lamentou o fato de questões preliminares levantadas no julgamento não terem sido aceitas pelo tribunal.

“Ressalto o meu inconformismo com a decisão, dando como exemplo que a comprovação feita pela minha defesa de que uma suposta reunião na Petrobras não existiu, foi ignorada e usada como parte da fundamentação da aceitação da denúncia. Ao longo da instrução probatória, a minha defesa comprovará que o instituto do trust não significa que eu detenha a titularidade de conta” diz a nota.

Por unanimidade, os ministros do STF votaram pelo recebimento, em parte, da denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra Cunha (PMDB-RJ). Cunha foi acusado por Janot de ter cometido quatro crimes: corrupção passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e omissão ou declaração falsa em documento eleitoral.

Segundo as investigações, a propina paga a Cunha foi dinheiro desviado da Petrobras no contrato de aquisição de um campo de exploração de petróleo em Benin. Os recursos foram mantidos em contas secretas na Suíça e custeou artigos de luxo para o deputado, a mulher dele, Cláudia Cruz, e uma de suas filhas, Danielle Cunha. A defesa alegou que o dinheiro não precisava ter sido declarado às autoridades brasileiras, porque estava em nome de trustes. Mas Teori refutou o argumento, alegando que Cunha era o dono do dinheiro — portanto, teria a obrigação de declarar ao Banco Central e à Receita Federal.

LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA DE CUNHA

“Com relação à denúncia aceita hoje, pelo STF, tenho a falar:

1 – Respeito a decisão e confio que, ao fim do julgamento do mérito, serei absolvido.

2 – Lamento o não acolhimento das preliminares e concordo integralmente com os argumentos do ministro Marco Aurélio.

3 – Ressalto, ainda, o meu inconformismo com a decisão, dando como exemplo que a comprovação feita pela minha defesa de que uma suposta reunião na Petrobras não existiu, foi ignorada e usada como parte da fundamentação da aceitação da denúncia.

4 – Ao longo da instrução probatória, a minha defesa comprovará que o instituto do trust não significa que eu detenha a titularidade de conta.

Eduardo Cunha”

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