Cunha descarta risco de adiamento de votação do impeachment

BRASÍLIA – O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), descartou neste sábado o risco de adiamento do processo de votação do processo de impeachment pelo plenário da Casa, marcada para ter início às 14 horas deste domingo. Cunha afirmou que, mesmo com o atraso no espaço destinado aos partidos políticos, não há problema porque no caso dos inscritos individualmente é possível votar um requerimento de encerramento de discussão. A sessão de sexta-feira se prolongou e perdurou até a manhã deste sábado, passando das 24 horas de duração.

A primeira madrugada da discussão no plenário da Câmara foi marcada pela diversidade dos argumentos dos que são favoráveis ao afastamento da presidente Dilma Rousseff e dos contrários à proposta. O cronograma está atrasado e os líderes, em especial da oposição, estão preocupados que a votação, no domingo, possa entrar na madrugada de segunda.

– A gente vai colocar para o voto e vai votar. Se tem quórum e está todo mundo preparado, não tem problema. Vamos chamar também muitos de madrugada que não estarão aí. Então não tem problema – afirmou Cunha.

A previsão inicial era de que as sessões para ouvir os partidos, que tem direito a uma hora cada, durasse até as 11 horas da manhã deste sábado. Restam, porém, ainda mais sete partidos para falar. Isso porque a cada sessão os líderes partidários têm direito a usar a fala por três a dez minutos, de acordo com suas bancadas. Em relação às falas individuais, existem 249 deputados inscritos, o que leva a mais de 12 horas de debates se todos falarem.

Para articular um possível encerramento de discussão antes da sessão da tarde de domingo, líderes favoráveis ao impeachment farão uma reunião nesta manhã para mobilizar seus parlamentares a estarem presentes para esta eventualidade.

CRÍTICAS AOS “GOLPISTAS”

O presidente da Câmara rejeitou na sexta-feira o pedido do advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, de fazer a defesa da residente Dilma Rousseff no domingo.

— Estou seguindo o rito que foi determinado pelo STF do presidente Collor. Não há, depois que o relator fala, a (possibilidade de a) defesa falar. Na comissão, foi permitido que ocorresse. Foi uma liberalidade. O que a defesa falou na comissão especial foi tempo superior aos que acusaram multiplicado por dois. Aqui (no plenário) é diferente. Não há previsão — disse Cunha.

Cunha argumentou que não há previsão legal para que isso ocorra e que está seguindo o mesmo rito da votação do processo de impeachment contra Fernando Collor de Mello, em 1992, para evitar contestações.

Entre os parlamentares governistas que já falaram no plenário, houve muitas críticas ao vice-presidente da República, Michel Temer, e a Cunha.

— Há uma articulação sinistra de Eduardo Cunha e Michel Temer. Um conluio. Eles tentam um atalho — disse Orlando Silva (PCdoB-SP).

MADRUGADA COM “COXINHAS” E “MORTADELAS”

A sucessão tranquila dos discursos foi quebrada às 03h30, quando o deputado Wladimir Costa (SD-PA), na tribuna, suspendeu sua fala e disparou um rojão de confetes, cujo estampido assustou os poucos deputados e assessores presentes no plenário.

A Professora Dorinha Seabra (DEM-TO) citou os termos “coxinhas” e “mortadelas”. O primeiro termo é usado para identificar os opositores ao governo do PT e o segundo, os que lutam contra o impeachment.

— Preocupa-me muito este momento em que o nosso País está dividido e segregado entre pobres e ricos, entre negros e brancos, entre coxinhas e mortadelas, entre eles e nós — disse a parlamentar.

Outro opositor do PT, Cláudio Cajado (DEM-BA) citou um trecho da canção “Da sagrada escritura dos violeiros”, do cantor e compositor Zé Ramalho.

— Finalizo, inspirado no grande músico e poeta Zé Ramalho, que diz: cada um nasce com seu jeito, sua classe, seus estilos. Uns nascem para agradar; outros, para brigar; uns para negociar; outros, para enganar. O mundo é assim mesmo. Um é bom; o outro, ruim. E eu não tenho nada a dar — afirmou Cajado.

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