Conselho de Ética tenta votar parecer de processo contra Cunha

BRASÍLIA – Com a decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de cancelar a sessão extraordinária convocada para a tarde desta terça-feira, o Conselho de Ética da Câmara realiza neste momento sessão para tentar votar o relatório pela admissibilidade do processo contra o presidente da Câmara. Os aliados de Cunha tentaram aprovar requerimento de inversão de pauta para que o processo não fosse apreciado como primeiro item da pauta, mas foram derrotados por 12 votos a 4.

Decisão do vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), aliado de Cunha, no início dos trabalhos em fevereiro, anulou a votação do relatório de admissibilidade do processo contra Cunha, realizada no final do ano passado. Com isso, Cunha ganhou mais prazo e seu processo quase retornou à estaca zero no Conselho. Os conselheiros terão que votar novamente o parecer do deputado Marcos Rogério (PDT-RO) que apenas avalia se a representação feita contra o presidente da Casa deve ser admitida ou arquivada sumariamente.

Rogério é favorável à continuidade do processo. Se o relatório for aprovado, o Conselho dá seguimento ao processo contra Cunha. Além de refazer a votação, o Conselho tem que retomar também as discussões sobre o relatório de Rogério que tinha sido aprovado no final do ano passado.

— Senhor presidente, são 120 dias corridos, quatro meses para votar a admissibilidade. Que a sociedade possa ter de nós a celeridade esperada por 78% dos brasileiros. Eu voto a favor da admissibilidade — disse Júlio Delgado (PSB-MG).

— Já votei a favor dessa admissibilidade e vou votar de novo. Já estamos há mais de cem dias e nem a admissibilidade foi vencida. O DEM é a favor de abrir o processo — afirmou o deputado Onix Lorenzoni (DEM-RS).

— É hora de mostrar a cara e ver quem de fato quer investigação nesse conselho. O PSDB é a favor da admissibilidade — acrescentou o deputado Betinho Rosado (PSDB-PE).

— Isso mancha a imagem da Câmara. Não queremos ver essa procrastinação. Vamos votar a favor da continuidade do processo até para que o presidente Cunha possa se defender — disse o deputado Valmir Prascidelli (PT-SP).

— O senhor cassou a nossa palavra. Isso não é de um coração baiano. Vou ficar aqui combatendo a tentativa de satanização dos companheiros que votam contra a cassação do presidente Cunha — criticou o deputado Wladimir Costa (SD-PA), que criticou o fato de não estar na lista de inscritos para discutir.

A discussão foi encerrada pelo presidente do Conselho, José Carlos Araújo (PSD-BA), mas os aliados de Cunha continuam tentando protelar e obstruir, adiando a realização da votação.

(* Estagiário sob supervisão de Isabel Braga)

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