Conselho de Ética fará votação nominal, com voto declarado um a um no microfone

BRASÍLIA — O Conselho de Ética fará a votação, chamando nominalmente cada um dos deputados, para que anunciem seu voto no microfone. De forma semelhante como aconteceu na votação do pedido de abertura de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara. O relator Marcos Rogério (DEM-RO), rejeitou o voto em separado apresentado pelo deputado João Carlos Bacelar (PR-BA) e manteve a pena de perda de mandato para Eduardo Cunha. Em suas alegações finais, ele voltou a mostrar as provas de que Cunha era o verdadeiro operador das contas no exterior, que alega que é trusts. No final da prova, depois de citar nomes de deputados do conselho que cobram provas de que Cunha é dono das contas, entre eles o deputado Mauro Lopes (PMDB-MG), Marcos Rogério afirmou:

— Querem conhecer as provas? Olhem para o processo. Cópias dos passaportes juntados aos documentos, à conta do banco estão aqui, em nome do representado. Assinatura de Cunha no Julius (Baer), onde estão as três contas, email para correspondência. As assinaturas dele estão aqui, se tiverem curiosidade de olhar, deputado Mauro Lopes, cópias de documentos, número das contas, senhoras e senhores, provas não faltam nesse processo — disse Marcos Rogério.

O relator afirmou que não há necessidade de condenação criminal para o julgamento por quebra de decoro e que Cunha mentiu as colegas e omitiu informação relevante.

— Não se pode negar ao parlamento e a sociedade o que lhe é de direito. O julgamento dos fatos estão a apontar que estamos diante do maior escândalo que esse colegiado já julgou. Não apenas omissão, mentira, mas trama para crimes, lavagem de dinheiro, corrupção passiva. A criação de empresas de papel, laranjas de luxo, servem apenas para evidenciar ainda mais as graves ofensas ao decoro parlamentar — acrescentou Marcos Rogério.

O deputado Mauro Lopes (PMDB-MG) provocou o relator:

— Eu queria saber se a conta é física ou jurídica?

— Cada um escolhe o caminho que quer: o político ou a análise das provas. Estamos diante de fraude, simulação, empresas de papel, laranjas de luxo, criadas para esconder a existência de contas. Há aqueles que poderão votar pela escolha política e outros com a análise das provas, respeito as duas posições. Mas vossa excelência há que respeitar o conjunto probatório que mostram fraudes, criação de empresas de fachadas para esconder contas. Há um crime ainda maior praticado nesse caso — rebateu Marcos Rogério.

O advogado Marcelo Nobre, que faz a defesa de Eduardo Cunha no Conselho de Ética, falou em seguida, negando que seu cliente tenha mentido à CPI. O advogado não aceita nem mesmo a pena alternativa proposta por Bacelar, quer a absolvição do cliente. O advogado também fez referência aos novos acontecimentos dos últimos dias, como a decisão do juiz Sérgio Moro de transformar a mulher de Cunha, Cláudia Cruz, em ré.

— Condenar sem prova é linchamento, não é aceitável. Acabem com essa defesa. Mostrem um única conta corrente, em banco no exterior, em nome do meu cliente. Tragam a prova, ela não existe, Por isso buscam outras alternativas em outros lugares, para condenar sem provas. Por isso esse processo merece ser arquivado — disse Marcelo Nobre.

Ao iniciar sua fala, o advogado chegou a mostrar um papel em branco em que estava escrito a palavra “cadê” e, de forma enfática, afirmou:

— Vossas excelências sabem porque o voto do relator tem 90 páginas? Por que não tem prova. Cadê o número da conta do corrente, nome do banco e do meu cliente? Cadê, em nome dele? Não me venha com pirotecnia, não me venha com invenção! Eu desafio alguém a mostrar a linha, não preciso de 90 páginas

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