Comissão tem bate-boca sobre juiz que ordenou prisão de marido de Gleisi

BRASÍLIA — No retorno da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) à comissão do impeachment houve bate-boca entre senadores e a advogada da acusação, Janaina Conceição Paschoal, sobre o juiz Paulo Bueno de Azevedo, que orientou a prisão do ex-ministro Paulo Bernardo, marido da petista. Azevedo é orientado por Janaina em seu doutorado na Universidade de São Paulo.

O tema foi trazido ao debate pela própria Gleisi. Na mesma linha do pronunciamento feito em plenário, ela defendeu o marido e afirmou que não tinha constrangimento em voltar. Foi aí que citou a relação da advogada com o juiz.

— Não me constrange vir aqui, nem me intimida estar aqui. Nem com comentários soltos de professora orientadora de tese de juiz de 1º grau — disse a senadora.

Janaina exigiu o direito de falar logo após Gleisi dizendo que precisava defender sua honra. Ela reclamou de o petista Lindbergh Farias (RJ) só ter falado sobre a orientação após ela deixar a reunião na sexta-feira passada. A senadora Vanessa Grazziottin (PC do B-AM) rebateu:

— Ela não está aqui para defender honra. Aqui não.

Lindbergh também protestou.

— A senhora pode fazer as ilações que quiser e a gente não pode falar nada? — questionou o senador do Rio de Janeiro.

O presidente da comissão, Raimundo Lira (PMDB-PB), permitiu que Janaina falasse sobre o tema.

— As pessoas medem as outras pela própria régua. Como petistas tem vassalos, não orientandos, eles acreditam que os outros professores se ajoelhem. Meus orientandos são das mais diversas orientações ideológicas, não se submeteram a mim, não dão satisfações, a não ser a pesquisa. Tenho orientandos petistas e os respeito — disse a advogada.

Devido à citação a Lindbergh, Lira permitiu que ele rebatesse Janaina.

— Ela faz todas as ilações possíveis, acusa sem provas o tempo todo. É orientando dela. A senhora não está por aqui idealismo, começou nesse processo por 45 mil, contratada pelo PSDB. Agora é idealista! Não venha com essa. É useira e vezeira em fazer ilações. Eu só disse a verdade, que era orientando. Vem aqui, falando de todo mundo, até agora não sabe motivos dos crimes de responsabilidade, fica fazendo discurso político, estou vendo como candidata a deputada federal. Não venha falar de idealismo, começou por causa de R$ 45 mil — afirmou o petista.

Janaina não se conteve e falou do inquérito que Lindbergh responde na Operação Lava-Jato.

— E os R$ 2 milhões da Petrobras que o Paulo Roberto Costa deu para o senhor? — perguntou Janaina.

Lindbergh disse ter certeza que provará sua inocência e que não se pode confundir doações de campanha com dinheiro desviado. Gleisi não entrou na polêmica ao longo das discussões. Logo após, ela voltou a fazer seus questionamentos ao ex-ministro Patrus Ananias.

ver mais notícias