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À Comissão de Ética da Presidência, Cardozo rebate atual advogado-geral

Da redação | 31/05/2016 18:20

BRASÍLIA — O ex-advogado-geral da União José Eduardo Cardozo, atualmente à frente da defesa da presidente afastada Dilma Rousseff, negou que tenha cometido desvio de finalidade advogando para Dilma e criticou duramente o atual chefe da pasta, Fábio Medina Osório.

Fábio Medina Osório disse ao GLOBO no último dia 18 que iria apurar possível desvio de finalidade cometido por Cardozo, ao classificar o processo de impeachment como golpe de Estado e “defender pedaladas como política de Estado”.

— Um advogado privado até poderia trazer teses extravagantes como essa, mas jamais um AGU poderia bradar contra os demais poderes de estado — criticou, na ocasião.

José Eduardo Cardozo, em representação ao Conselho de Ética Pública da Presidência, afirmou que a defesa que faz de Dilma não é “uma heresia capaz de exigir o exorcismo de quem a defende”, e tem natureza político-jurídica. Cardozo diz que recebeu as acusações de Medina Osório com “absoluta estupefação”, e sugeriu “empáfia” e “autoritarismo” de seu sucessor na AGU:

“A vida nos ensina, de fato, que é possível que alguém por se sentir superior e mais qualificado acredite ser adequado menosprezar e desqualificar colegas de profissão. A empáfia não é algo difícil de ser encontrada nos seres humanos. É possível e até provável que alguém por autoritarismo ou egocentrismo exacerbado julgue ser sempre certas as teses que defende, e justo o achincalhe público de argumentos sustentados por outros colegas de profissão”, atacou.

Cardozo, que no começo do mês obteve aval da Comissão de Ética para continuar defendendo a presidente afastada, ressalta ainda que Medina Osório já disse que o impeachment seria golpe, em entrevista ao jornal “Diário do Grande ABC” no ano passado.

Também foi criticada a postura do governo interino de combater a tese do “golpe”, que é sustentada por Cardozo. Ele diz que foi “afobada” a determinação do governo em “abrir fogo” por meio do Itamaraty. Na última terça-feira, foi enviada uma circular interna orientando que embaixadas brasileiras no exterior combatam os “equívocos” em relação ao processo de impeachment.

O documento enviado à Comissão de Ética afirma que Fábio Medina Osório agiu de forma “ilegítima e ilegal” e praticou “graves infrações éticas”. A representação pede que seja sugerida ao presidente interino Michel Temer a demissão do ministro.

Não há previsão de quando a comissão irá analisar a representação. Nesta terça-feira, o colegiado faz uma reunião extraordinária para dar conta dos 89 pedidos de quarentena — dos 108 recebidos — que ainda tem a analisar. O próprio José Eduardo Cardozo foi um dos 12 ex-funcionários que tiveram autorização de quarentena, cujo objetivo é proteger informações privilegiadas e decisões estratégicas do governo a que um servidor público teve acesso. O salário integral é mantido por seis meses — no caso de ministros, como Cardozo, a remuneração é de R$ 30,9 mil.

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