Cem mil pessoas participam de ato em Brasília, segundo a PM

BRASÍLIA — Manifestantes começam a se dispersar na Esplanada dos Ministérios . Segundo a PM, 100 mil pessoas participaram do ato neste domingo, a maior manifestação em relação aos protestos de 2015 contra o governo Dilma Rosseff. O público registrado em 15 de março do ano passado foi de 45 mil pessoas.

A concentração começou cedo no Museu da República, o público seguiu em passeata pela Esplanada e se concentrou em frente ao Congresso Nacional. A maioria do público usa roupas das cores da bandeira brasileira, principalmente amarelas. Também carregam faixas contra a corrupção, pedindo a saída de Dilma do cargo, e demonstrando apoio ao juiz Sérgio Moro, que cuida dos processos da Operação Lava-Jato.

Há cinco trios elétricos, um deles trazido por policiais federais ligados à Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF). O delegado Luciano Leiro, diretor regional da ADPF no Distrito Federal, diz que eles estão ali para colher assinaturas de apoio a uma proposta de emenda constitucional (PEC) que dá autonomia financeira e administrativa à Polícia Federal, diminuindo sua dependência em relação ao ministro da Justiça. Sobre o impeachment de Dilma, ele não se posiciona.

— A gente não pode entrar nessa seara, porque é uma polícia de Estado — diz Luciano Leiro.

O pastor Silas Malafaia participa da manifestação em um trio elétrico estacionado em frente ao Congresso. O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) também está presente, vários manifestantes o cercam e pedem para tirar fotos. Integrantes dos movimentos anti-Dilma proibiram os políticos de subirem no carro de som.

O primeiro carro de som traz uma foto do triplex do edifício Solaris, no Guarujá, imóvel associado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sob investigação do Ministério Público Federal (MPF) e do Ministério Público do Estado de São Paulo. Alguns manifestantes passam pelo carro e tiram foto com ele.

Maria Lúcia Bicudo, filha do jurista Hélio Bicudo, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, falou do alto de um trio elétrico. Ela leu o discurso de Hélio Bicudo feito em São Paulo. O ponto alto foi o momento em que disse que o Brasil é “nosso”, e não do PT.

O piloto de avião Erol Pereira diz que está é a quarta manifestação contra Dilma da qual participa em Brasília. Ele carrega uma filmadora presa ao corpo para fazer registros do processo.

— Eu sou a favor de acabar com a corrupção, tirar um governo afundado na lama. O governo parou. Está todo mundo desempregado. Temos que resolver isso. Estou empregado e estou aqui não só por mim, mas pelos outros também — diz ele para justificar a saída de Dilma.

O estudante Márcio Costa participa da manifestação em Brasília com uma máscara da presidente Dilma, que ele quer ver fora do governo. Em sua quinta manifestação anti-Dilma, ele espera um país melhor com a saída da presidente.

— Eu espero que haja progresso (sem ela), porque com ela não há progresso. Que o país passe a investir, e não na corrupção — diz ele, que carrega vários cartazes.

O ajudante de pedreiro João Barbosa foi às ruas protestar contra Dilma e o PT pela primeira vez em dezembro. Em sua segunda participação, ele reclama da corrupção e manifesta apoio aos juízes brasileiros, em especial Sérgio Moro, responsável pela investigação da Operação Lava- Jato.

— Espero que façamos uma limpeza, não só da Dilma, também do Lula — diz João, que apoiou o PT nos anos 90. Sobre o que vai acontecer se a presidente sair, ele tem um otimismo cauteloso:

— Vamos demorar para consertar algumas coisas, mas tenho certeza de que vamos melhorar.

O frentista Bruno Augusto Ferreira está em sua segunda manifestação anti-Dilma. Ele e os amigos estão fantasiados de baianas vendendo acarajé com pimenta, a R$ 13, número do PT. Uma das fases da Lava-Jato ganhou o nome de Acarajé. A comida baiana seria uma gíria para propina usada por alguns dos investigados.

— A intenção é das melhores possíveis, que a gente consiga sobreviver, porque hoje está difícil — diz ela sobre o que espera que ocorra com a saída de Dilma.

A dentista Vivian Rodrigues levou o filho Daniel, com 2 meses, na manifestação deste domingo na Esplanada dos Ministérios.

— A gente tem de tirar a presidente porque nunca teve tanta corrupção e nem tanto escândalo — disse.

FUNCIONÁRIOS DOS CORREIOS

Funcionários dos Correios também apareceram na manifestação, protestando contra irregularidades no Postalis, o fundo de pensão dos empregados da estatal. Há uma CPI em funcionamento na Câmara investigando os problemas de gestão que levaram ao rombo dos fundos de pensão Postalis, Previ (dos funcionários do Banco do Brasil), Funcef (Caixa Econômica) e Petros (Petrobras). Do alto de um dos carros de som, o locutor anunciou a venda, a R$ 20, de camisetas com a inscrição “Somos todos Sérgio Moro”. Há muitos manifestantes carregando balões brancos com a palavra “paz”.

(*Estagiário sob supervisão de Francisco Leali)

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