Bancada do PT na Câmara deve fazer apelo para que Lula aceite ministério

SÃO PAULO – A bancada do PT na Câmara deve fazer um apelo para que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aceite assumir um ministério no governo da presidente Dilma Rousseff. A revelação foi feita pelo deputado Vicente Cândido (PT-SP), que esteve com Lula nesta segunda-feira para convidá-lo para se reunir com os parlamentares na quarta-feira, em Brasília. O presidente nacional do PT, Rui Falcão, também defendeu que Lula assuma um ministério.

— Acho que é natural (a bancada fazer o apelo). A gente sente isso não só na bancada, mas na base aliada também — disse o parlamentar.

Mais cedo, Rui Falcão usou uma rede social para convocar militantes para o ato em defesa do ex-presidente, marcado para sexta-feira, dia 18. A CUT também convocou a militância para os atos de sexta-feira. Em texto divulgado hoje nas redes sociais, a CUT disse que “o desprezo aos partidos políticos leva à ditadura do Judiciário, ao fascismo” e que “sem partidos políticos não há democracia. E o alvo sempre será a classe trabalhadora”.

— A minha opinião é que ele (Lula) deveria ir (para o governo), independentemente dos protestos. Mas é uma decisão difícil, que tem que ser muito pensada. Ele que vai tomar a decisão — afirmou Falcão.

O dirigente disse não acreditar que a adesão às manifestações de domingo possa acelerar o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

— Foi uma manifestação de rejeição à política e combate à corrupção.

Lula se reuniu ainda na manhã desta segunda com os advogados Cristiano Zanin e Fernando Fernandes e com o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP). Teixeira reconheceu que as manifestações de domingo foram “expressivas”, mas disse que não há base jurídica para o impeachment e que o governo conta com os votos na Câmara para barrar o processo. Segundo Cândido, Lula também falou das manifestações:

— Comentou preocupado. Realmente foram as maiores da história do Brasil. Cabe ao governo governar — afirmou Cândido.

O parlamentar acrescentou ainda que a defesa do ex-presidente estuda entrar com novos pedidos no Supremo Tribunal Federal (STF) para questionar a competência do Ministério Público paulista de investigá-lo no caso do tríplex do Guarujá. Os promotores paulistas pediram a prisão preventiva de Lula na semana passada.

CONVOCAÇÃO DA MILITÂNCIA

No texto publicado nesta segunda-feira, em sua página do Facebook, Rui Falcão diz que o desafio da semana é “encher as ruas em todo o país, no dia 18, em defesa da democracia, dos presidentes Lula e Dilma, contra o golpe e por mudanças na economia”. Rui Falcão e Lula estão reunidos nesta segunda-feira, na sede do Instituto Lula, em São Paulo.

Falcão citou ainda a 24ª fase da Operação Lava-Jato, no dia 4, quando o ex-presidente Lula foi levado pela Polícia Federal coercitivamente para depor. O conteúdo do depoimento foi divulgado nesta segunda-feira. “A desfaçatez e a truculência da classe dominante não têm limites. Para quem ainda se ilude com o discurso de seus representantes na mídia monopolizada e no parlamento, supostamente contra a corrupção e a favor da democracia, o sequestro de Lula, na última sexta-feira, dia 4 de março, foi um choque de realidade”, escreveu Falcão.

O presidente do partido criticou ainda o pedido de prisão preventiva, feita na semana passada pelos promotores Cassio Conserino, José Carlos Blat e Fernando Henrique Araújo. “Para completar, três promotores em busca de notoriedade denunciaram o ex-presidente, pedindo sua prisão preventiva. Ambas, a denúncia e o pedido de prisão, além de violentarem a filosofia (confundiram Engels com Hegel) e atentarem contra o vernáculo, carecem de fundamento legal.”

O Ministério Público paulista pediu na quarta-feira a prisão preventiva do líder petista por lavagem de dinheiro e falsidade ideológica no caso do triplex do Guarujá, o que gerou forte reação da militância.

No fim do texto, Rui Falcão pede para que ninguém falte ao ato: “a esta convocação, nenhum de nós pode faltar!”.

CUT

A nota da CUT convovando para os atos de sexta-feira diz “que não houve adesão massiva dos pobres e da classe trabalhadora aos atos do dia 13 de março”, citando pesquisa do Datafolha publicada nesta segunda-feira que mostrou que 63% dos participantes da marcha ganham mais do que cinco salários mínimos.

A CUT lembrou as vaias sofridas por políticos de oposição, mas lembrou que, “por outro lado, o deputado Jair Bolsonaro, que defende abertamente a volta da ditadura militar, retirada de direitos sociais e trabalhistas conquistados, foi aplaudido; e o juiz Sérgio Moro foi tratado como herói. Isso é o resultado da criminalização e da judicialização da política”.

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