Após queda de Jucá, PT vai pedir suspensão do impeachment

BRASÍLIA – Após a primeira baixa do governo interino de Michel Temer (PMDB-SP), com a exoneração de Romero Jucá do Ministério do Planejamento, petistas tentarão suspender o processo de impeachment no Senado. Na próxima reunião da Comissão que analisa o impedimento, marcada para esta quarta-feira, os parlamentares apresentarão questões de ordem para tentar anular o processo contra a presidente afastada Dilma Rousseff.

Petistas avaliam que a saída de Jucá de um governo que acaba de começar é um elemento forte a ser explorado pelos defensores de Dilma na Comissão. Eles consideram que o senador, junto com o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi o principal articulador do impeachment no Congresso, e ambos estão “enrolados”.

Os senadores também estudam que tipo de ação judicial poderão usar contra o governo Temer. Eles entrarão com uma representação na Procuradoria Geral da República (PGR) e cogitam também uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra Romero Jucá. Eles querem pedir à PGR que mande a íntegra dos documentos contra o ex-ministro para análise dos petistas.

— Por muito menos o Delcídio foi preso e cassado, então vamos entrar com uma representação na PGR para investigar a conduta dele — disse o senador Paulo Rocha (PA), líder do PT na Casa, comparando a situação de Jucá com a do ex-senador Delcídio do Amaral, preso pelo STF por obstrução à Justiça, e depois cassado pelo Senado.

Apesar da investida no Senado, parlamentares admitem que é difícil que algum recurso apresentado à Comissão surta o efeito desejado. Eles apostam, a partir de agora, no impacto da saída de Jucá do governo para a opinião pública, o que pode “virar o jogo”, nas palavras de um senador. Também circula entre petistas a notícia de que será divulgada uma nova pesquisa Datafolha nos próximos dias, e que ela mostrará a população mais refratária ao impeachment e ao governo interino de Temer.

Petistas afirmam que, apesar do nítido abatimento do ex-presidente Lula quando do afastamento temporário de Dilma, a bomba que atingiu o governo interino do PMDB nesta segunda-feira deu ânimo adicional à tropa petista.

A reunião da Comissão do Impeachment no Senado, inicialmente marcada para hoje, foi adiada por conta de sessão do Congresso que votará a mudança da meta fiscal, com previsão de déficit de R$ 170,5 bilhões. Como a sessão começou na manhã desta terça, o presidente da Comissão, Raimundo Lira (PMDB-PB), decidiu adiar para esta quarta-feira a sessão.

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