Após decisão de Toffoli, juiz da Operação Custo Brasil revoga prisão de oito

SÃO PAULO — O juiz Paulo Bueno de Azevedo estendeu a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que determinou a revogação da prisão preventiva do ex-ministro Paulo Bernardo, a outros sete presos na Operação Custo Brasil. Apenas o ex-tesoureiro do PT Paulo Ferreira e Nelson Luiz Oliveira Freitas vão continuar preso, já que há indícios que os dois tentaram combinar uma versão única sobre o caso.

Bueno de Azevedo disse que “obviamente irá acatar” a decisão do ministro, mas que descorda do posicionamento do ministro. O juiz afirmou que continua achando que “a expressiva quantia do dinheiro não localizado pode sofrer novos esquemas de lavagem”. Toffoli afirmou que não há elementos no processo que justifiquem a manutenção da prisão preventiva, como uma possível fuga de Paulo Bernardo para o exterior ou o risco de interferência nas investigações e cometimento de novos crimes se colocado em liberdade.

O Ministério Público Federal pediu que, ao menos, eles fossem monitorados por tornozeleiras eletrônicas para evitar a livre circulação dos investigados. O juiz afirmou que a medida não poderia ser cumprida porque o Tribunal Regional Federal da 3ª Região não tem convênio para a prestação do serviço.

“Requereu a proibição de contato com todos os demais investigados e o monitoramento eletrônico.Em relação ao monitoramento eletrônico, é preciso ressaltar que este Tribunal Regional Federal da 3ª Região, ainda mais em tempos de cortes de despesas, não dispõe de convênio para utilização das tornozeleiras eletrônicas”, afirmou o juiz.

Além de Paulo Bernardo, serão soltos o advogado Guilherme Gonçalves, Daisson Portanova, Dércio Guedes, Valter Correia (ex-secretário de Gestão da Prefeitura de São Paulo), Emanuel Dantas, Joaquim Câmara e Washington Luiz Viana. Eles terão que comparecer à Justiça acada 15 dias, estão proibido de se falarem e não poderão exercer qualquer cargo público. Os investigados soltos terão também que entrar seus passaportes.

PAULO FERREIA SEGUE PRESO

O juiz justificou a manutenção da prisão de Ferreira e Nelson Luiz Freitas afirmando que a extensão da decisão do ministro para os dois é “inamplicável”. Eles teriam sido flagrados combinando versão sobre o esquema.

“Em relação a Paulo Ferreia, o colaborador Milton Pascowitch teria revelado a tentativa de ingerência em seus depoimentos por intermédio de pessoa ligada a Ferreira, que teria mencionado a necessidade de “afinar o discurso”. Em relação a Nelson Freitas, o colaborador Alexandre Romano mencionou que Nelson o teria procurado para simular um contrato simulado de compra e venda de um imóvel em Goiás”.

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