Análise: A revolução silenciosa das operações policiais

RIO – Pouca gente sabe, mas por trás do sucesso das operações dos dois últimos anos está uma revolução silenciosa de comunicação. Essa história começa em meados dos anos 2000, após o fracasso de investigações promissoras, a mais famosa delas a Satiagraha, que tinha entre os seus principais alvos o banqueiro Daniel Dantas, mas ruiu após uma série de trapalhadas perpetradas pelo delegado Protógenes Queiroz.

O Ministério Público Federal já tinha uma geração tecnicamente bem capacitada, formada no embalo dos anos pós-redemocratização. Mas alguns procuradores, entre eles Rodrigo Janot, que depois se tornaria procurador-geral da República, perceberam que isso não bastava. Era preciso “vender” melhor o peixe.

Sob contrato de sigilo, jornalistas tarimbados passaram a percorrer o Brasil para treinar procuradores que, em sua maioria, acreditavam que a melhor política era o silêncio. Eles foram instruídos a trocar termos jurídicos por palavras de fácil compreensão, a explicar didaticamente o conjunto de evidências colhidas e a lidar com todo o potencial das mídias digitais.

Uma regra passou a ser religiosa: anúncios importantes jamais devem ser feitos em entrevistas individuais. Em grandes operações, se possível, as entrevistas são compostas por ao menos um procurador, um delegado da PF e um representante da Receita Federal. Além de evitar crises de ciúmes, a ideia é demostrar unidade e dar peso às revelações.

A primeira vez que se viu esse pacote bem embalado foi na “República de Curitiba”. Mas o “padrão Lava-Jato” se espalhou pelo país.

Alan Gripp é editor de País

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