'Agi como todo cidadão deve agir’, diz Cunha sobre reprovação da filha em exame de direção

BRASÍLIA – O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), respondeu nesta sexta-feira à matéria publicada pelo GLOBO nesta sexta-feira que mostrou que, após reprovar uma das filhas do deputado na prova de baliza, o examinador de trânsito Antônio Antunes Coimbra foi acusado de extorsão pelo parlamentar. Por meio de sua assessoria de imprensa, Cunha disse que “agiu como todo cidadão deve agir: denunciando um corrupto que pedia dinheiro no Detran para aprovar em exames”. Ele condenou a “inversão de valores” da reportagem que, segundo ele, incorre no erro de transformar “suspeitos de corrupção em heróis”.

“Não podemos transformar suspeitos de corrupção em heróis, pois isso é uma inversão de valores, pela qual o corrupto torna-se vítima, e o cidadão de bem, vilão. A Globo não pode transformar o suspeito de corrupção em herói”, afirmou o presidente da Câmara, por escrito.

Cunha alega ainda que, se não tivesse denunciado o ato de corrupção que teria sido cometido pelo examinador que avaliou sua filha, Camilla Ditz da Cunha, ele estaria alimentando a corrupção:

“Eu agi como todo cidadão deve agir: denunciando um corrupto que pedia dinheiro no Detran para aprovar em exames. Se eu agisse diferente, aí sim, estaria estimulando a corrupção”, escreveu o peemedebista.

O GLOBO publicou nesta sexta-feira que, após reprovar Camilla, Cunha mandou uma carta ao Detran e acusou o examinador, conhecido como Tunico, de tentar extorquir sua filha. O poder público agiu rápido e, submetido a uma sindicância interna, Tunico foi punido com 30 dias de suspensão, sem vencimentos, além do afastamento das provas.

Até hoje, o examinador, que é irmão do ex-jogador Zico, tenta anular a punição na Justiça. Ele incluiu no processo, que tramita desde 2009 na 8ª Vara de Fazenda Pública, o conteúdo de um email enviado na época por Sérgio Cabral à Presidência do Detran, na qual o então governador fluminense elogia a família Antunes, “sinônimo de honestidade e caráter”, e critica Cunha: “Esse senhor que acusa um membro da família (de Zico) é sinônimo do que há de pior na vida pública brasileira”. Em seguida, garante aos Antunes: “No meu governo, bandido não tira onda de mocinho”. Mas Cunha conseguiu o que queria.

Leia, abaixo, a íntegra da resposta de Eduardo Cunha:

“Eu agi como todo cidadão deve agir: denunciando um corrupto que pedia dinheiro no Detran para aprovar em exames. Se eu agisse diferente, aí sim, estaria estimulando a corrupção. Não podemos transformar suspeitos de corrupção em heróis, pois isso é uma inversão de valores, pela qual o corrupto torna-se vítima, e o cidadão de bem, vilão. A Globo não pode transformar o suspeito de corrupção em herói”.

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