Agenda de Léo Pinheiro revela contato com sócios de Lulinha

SÃO PAULO — Léo Pinheiro — o presidente da OAS que tenta fechar um acordo de delação premiada na Operação Lava-Jato e deve falar sobre seu relacionamento com o ex-presidente Lula — mantinha contato direto com os irmãos Bittar, sócios de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do ex-presidente. Uma agenda apreendida em abril com Marcos Ramalho, secretário de Pinheiro, mostra o agendamento de um encontro com Kalil Bittar em agosto de 2014, quando a Lava-Jato já estava em curso.

A agenda, com os compromissos de Léo Pinheiro, incluem registros de encontros com políticos, entre eles o próprio ex-presidente e o ex-ministro José Dirceu, preso. Outros nomes que fizeram parte dos governos Lula e Dilma também são citados, como os ex-ministros Nelson Jobim, Celso Amorim e Gilberto Carvalho.

O irmão de Kalil, Fernando Bittar, é um dos sócios do sítio de Atibaia, usado pela família Lula e que recebeu obras feitas pela Odebrecht e pela OAS. A empreiteira de Pinheiro também pagou por cozinhas planejadas instaladas no sítio e por móveis instalados no tríplex do Guarujá, que permanece em nome da OAS. Lula nega que o imóvel seja dele.

Mensagens de celular trocadas entre Pinheiro e Paulo Gordilho, um dos executivos da OAS, obtidas pela Lava-Jato mostram que Fernando Bittar serviu como intermediário na aprovação dos projetos.

Kalil Bittar também é investigado pela Polícia Federal porque uma empresa em seu nome, a PDI Processamento Digital, teria sido usada por Lulinha para comprar R$ 100 mil em equipamentos eletrônicos numa loja de Campinas. Lulinha e Kalil teriam ido juntos para fechar o negócio.

A defesa da família Lula afirmou que Fábio Luís e suas empresas já tiveram os seus sigilos quebrados e investigados. Os documentos, segundo os advogados, comprovam que Fábio nunca teve negócios com a OAS. A defesa da família Bittar não respondeu ao GLOBO.

(*Estagiário, com supervisão de Mariana Timóteo da Costa)

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