Afastamento de Dilma é a principal notícia dos jornais internacionais

RIO — Tão logo saiu o resultado da votação no Senado na manhã desta quinta-feira, os jornais internacionais estamparam na capa de seus sites a notícia sobre a admissibilidade do processo de impeachment e o consequente afastamento da presidente Dilma Rousseff. Com um placar que surpreendeu até a oposição, 55 senadores votaram a favor e 22 contra — eram necessários pelo menos 41 votos.

Em sua manchete, o jornal “New York Times” destacou a “retirada de uma líder profundamente impopular cujo destino político lentamente em queda foi encarnado por uma raiva pública generalizada em relação à corrupção sistêmica e a uma economia destruída”.

O diário ressaltou ainda que o “vice-presidente Michel Temer, condenado por violar os limites de financiamento de campanha, estará agora sob tremenda pressão para conter a pior crise econômica do Brasil em décadas”.

“Descrevendo o esforço para removê-la como um golpe de Estado, Dilma, a primeira mulher a ser presidente do Brasil, tem repetidamente rejeitado os apelos para renunciar, prometendo continuar sua luta para permanecer à frente do maior país da América Latina”, escreveu o jornal.

A emissora britânica BBC, por sua vez, lembrou que o julgamento pode durar até 180 dias, o que significaria que Dilma estaria afastada durante os Jogos Olímpicos no Rio, que começam em 5 de agosto. A rede citou o discurso de José Eduardo Cardozo, advogado-geral da União, afirmando que o pedido de impeachment não tinha base jurídica e que a oposição queria remover uma “mulher inocente” democraticamente eleita, no que seria uma “injustiça histórica”.

Com o título “Senado do Brasil tira Dilma Rousseff do poder”, o espanhol “El País” abriu seu site também repercutindo a decisão no Senado.

A reportagem destacou que a “cansativa e histórica sessão plenária”, com duração de 21 horas, transcorreu sem os “excessos chocantes” da votação na Câmara.

Além disso, o jornal publicou um perfil sobre Temer, intitulado “O novo presidente: Temer, um político discreto e ambicioso”.

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