Acidente entre ambulâncias, carreta e ônibus mata 21 pessoas na BR-101

Uma tragédia comoveu o país nesta quinta-feira (22). Um acidente com quatro veículos matou 21 pessoas e feriu 22 no litoral sul do Espírito Santo.

O fogo na pista no quilômetro 343 da BR-101, em Guarapari, indicava que o acidente tinha sido grave. Quando as chamas se apagaram foi possível ver o que sobrou de um ônibus, uma carreta tombada na pista e duas ambulâncias.

Testemunhas contaram para a Polícia Rodoviária Federal que, por volta das 6h, a carreta que transportava um bloco de granito tombou, deslizou no asfalto e atingiu o ônibus. Duas ambulâncias que vinham logo atrás do ônibus não conseguiram desviar.

“O ônibus deu uma brecada e numa pancada só, não deu pra ver mais nada”, disse um homem que estava no ônibus.

Em uma das ambulâncias estavam três pessoas e na outra, seis. Elas traziam pacientes do interior do estado para hospitais da Grande Vitória. Nenhum paciente se feriu com gravidade, mas o motorista de uma ambulância morreu.

Alicinaldo Vargas tinha 36 anos e levava pacientes da cidade de Jerônimo Monteiro. Entre eles, Rosinete e o marido, que iria se consultar no oftalmologista. “Por algum instante ali, quando o carro bateu que ele desgovernou, aí eu não me lembro. Eu me lembro, depois, de abrir o olho e ver o ônibus pegando fogo, a ambulância virada e as pessoas gritando, pedindo socorro”, contou a agricultora Rosinete Esteves.

O ônibus fazia a linha São Paulo-Vitória. Saiu às 16h de quarta-feira (21) com 31 passageiros. O motorista do ônibus sobreviveu, o da carreta morreu no acidente.

Ambulâncias e dois helicópteros levaram os feridos para hospitais da cidade de Cachoeiro de Itapemirim e da região metropolitana de Vitória. À espera deles, parentes em busca de notícias. Cecília procurava pela irmã.

“Ela estava vindo me visitar, trazer meu sobrinho, que é minha paixão. E a gente estava vindo pra passar um fim de semana maravilhoso aqui. Aí, aconteceu isso”, disse a comerciante Cecília Thomaz.

Rogério não procurou no hospital. Foi para o local do acidente: “Minha tia e meu primo estavam no ônibus que aconteceu o acidente. Eles estavam sentados no meio do ônibus e eu quero ver”.

Rogério foi informado que a tia dele está bem, mas o primo sofreu queimaduras graves em quase todo o corpo.

Assim que a população do Espírito Santo soube do acidente surgiu também uma corrente de solidariedade. O corredor da sala de espera para doação de sangue ficou lotado. O movimento foi quatro vezes maior que em um dia normal.

“Assistir pela televisão um acidente tão trágico comoveu muito, mexeu muito comigo”, disse a auxiliar administrativa Marcilene dos Santos.

“A gente está com o banco de sangue estruturado para receber essas pessoas”, afirmou Marcos Coelho, diretor do Hemoes.

Os corpos foram levados para o IML de Vitória. Uma perita aposentada foi trabalhar: “Eu falei: ‘preciso ir para lá, preciso ajudar de alguma forma’”.

Como alguns corpos ficaram carbonizados, a identificação só vai ser possível com exames de DNA.

O governo do Espírito Santo decretou luto oficial de três dias. A Polícia Rodoviária Federal afirmou que a carreta estava com excesso de peso e vai investigar a suspeita de falha mecânica.

A viação Águia Branca declarou que está mobilizando esforços para localizar, buscar e acomodar, em Vitória, os parentes dos acidentados e que está dando apoio às famílias em todas as providências necessárias.

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