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Atriz choca ao revelar estupro na ditadura e abusos sofridos na Rede Globo

Da redação | 16/05/2017 09:32


A atriz Claudia Alencar (66) escondeu durante muito tempo uma série de dores vividas em sua trajetória de vida.
Ela revelou parte dessa trajetória, que inclui agressões do pai e abusos no período da ditadura no Brasil.
Ainda pequena, ela apanhava do pai, em seguida, quando ainda era estudante na Escola de Comunicação e Artes da USP e integrante da Aliança Libertadora Nacional, a jovem aspirante a atriz sofreu o que considera um dos piores pesadelos para uma mulher: o estupro.

“Eu fazia teatro de protesto na rua, nas universidades e alguns espaços públicos (…) Fui muito violentada nos Anos de Chumbo, na Ditadura Militar. Depois disso, achava que nenhum assédio poderia mais me abalar, poderia me derrubar. Me enganei. Foram dez anos dizendo ‘não’ a diretores e produtores porque eu queria um papel bom sem barganhar uma noite de sexo”, conta a atriz.

Pouco depois, Claudia conseguiu um papel em ‘Roda de Fogo’, apoiada pelo seu professor universitário, autor da trama, Lauro César Muniz, a quem é grata.

“Fui chamada várias vezes para fazer testes e eles até começavam mesmo com as leituras de texto, mas terminavam com uma proposta de um jantar ou de um encontro em um lugar mais reservado. Cada vez que isso acontecia, eu saia arrasada, frustrada e me sentindo violentada porque eu tinha certeza que era boa atriz com condições para entrar e ficar entre as estrelas da casa”, desabafou.

Interpretando papeis sensuais, Claudia conta que o assédio aumentou. “Era diretor, ator, produtor, apresentador e empresário que vinham com aquele joguinho de sedução. Tive um colega de cena que me perturbou meses e, quando um dia eu cansei do cerco e dei um fora definitivo, ele passou a me perseguir, me humilhar na frente dos outros colegas. Ninguém me defendeu. Daí eu percebi que se eu quisesse continuar trabalhando, teria que fingir que nada acontecia e foi o que eu fiz durante uns 25 anos.”, declarou a atriz.

A triz disse ficar muito feliz que profissionais tenham perdido o medo de denunciar e não se calarem mais diante de tantos abusos e assédios vividos dentro do trabalho.

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