Usiminas obtém com credores renegociação de 75% das dívidas

RIO e SÃO PAULO – A Usiminas chegou a um consenso com bancos brasileiros e debenturistas sobre os termos de um acordo para alongar a dívida com essas instituições, informou a siderúrgica nesta quarta-feira. Pelos termos acordados, a empresa terá dez anos para quitar o débito, sendo três anos de carência. Esse grupo de credores representa 75% da dívida bruta da empresa, que está em torno de R$ 7,2 bilhões.

Os credores incluem Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Bradesco, além de BNDES e os detentores de títulos da dívida da empresa. A assinatura de um acordo final está condicionada à confirmação do aumento de capital de R$ 1 bilhão, previsto para ocorrer até 22 de julho. Dos bancos brasileiros que são credores da siderúrgica, apenas o Santander não participa desta renegociação pois sua dívida é muito pequena, de menos de R$ 50 milhões, segundo fontes.

As ações preferenciais da Usiminas dispararam após o anúncio e fecharam em R$ 2,05, alta de 22,75%. Foi a maio alta da Bolsa de Valores de São Paulo (BM&FBovespa).

BANCOS JAPONESES

Além dos cinco bancos brasileiros, a Usiminas tem dívida com mais quatro bancos japoneses, entre eles o JBIC. Segundo uma fonte, as negociações para alongar a dívida com as instituições japonesas (os 25% restantes) continuam e devem seguir os mesmos termos que os acordados com os bancos brasileiros.

Essa fonte disse que só não foi fechado esse pré-acordo com os japoneses devido a questões burocráticas. Até 15 de julho, quando acaba o prazo de stand still (suspensão do pagamento de dívidas) firmado com os nove bancos, o acordo terá sido firmado com todas as instituições finaneiras, segundo a fonte.

O aumento de capital, que conta com garantia integral do grupo Nippon Steel, um dos controladores da Usiminas, foi aprovado em meados de abril sob protestos da CSN, maior acionista minoritária da companhia.

A CSN depositou sua parcela na operação em juízo, à espera de decisão da Justiça sobre processo em que a empresa cobra utilização de recursos da mineradora Musa, unidade de mineração da Usiminas, para reduzir o montante do aumento de capital da rival.

Na semana passada, uma fonte próxima da Nippon Steel afirmou à Reuters que a recente mudança no comando da siderúrgica, com a entrada de Sergio Leite na presidência executiva, causou atrasos nas discussões com os bancos, diante de incertezas de algumas instituições financeiras sobre o futuro da empresa.

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