Fundo de ação é a melhor aplicação de abril, com ganho de 4,52%

SÃO PAULO – A crescente expectativa de mudança de governo e um cenário externo mais favorável contribuíram para que os fundos de ações, mais uma vez, liderassem o ranking das principais aplicações disponíveis ao investidor. Em abril, os fundos de ações índice ativo e os de ações livre acumularam ganhos de, respectivamente, 4,52% e 3,87%, seguindo o Ibovespa, que terminou o mês com ganhos de 7,70%. Na lanterna ficou as carteiras cambiais, que tiveram rentabilidade negativa de 1,58%.

No entanto, especialistas recomendam cautela aos investidores. A avaliação é que a Bolsa já acumula uma alta muito expressiva no ano, de 24,36%, é não há motivos para que novos movimentos de forte alta se repitam. Luiz Roberto Monteiro, operadora da Renascença Corretora, lembra que boa parte da alta das últimas semanas foi sustentada com a expectativa de impeachment da presidente Dilma Rousseff, que já é dada como certa. A única chance de uma nova disparada seria o fluxo de investidores estrangeiros.

— A Bolsa já subiu muito em função do fator político, mas o impeachment já é dado como certo e isso já está no preço. Os investidores devem olhar mais para o cenário corporativo do que para o ambiente político em maio. Uma nova alta vai depender muito do fluxo de estrangeiros, que iniciaram esse processo de recuperação da Bolsa em março — disse, lembrando que no ano os estrangeiros já aplicaram R$ 13,5 bilhões em ações na Bolsa.

No ano, os fundos de ações índice ativo acumulam uma alta de 15,41%. Essas carteiras seguem o comportamento dos diversos índices da Bolsa, entre eles o Ibovespa. Já os fundos ações livre subiram 11,17%, segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Os dados dos rendimentos dos fundos consideram o desempenho até o dia 26 de abril, o mais recente disponibilizado pela Anbima.

— Mas não vejo mais fôlego para subir ainda mais. A Bolsa está quase em 54 mil pontos. Quando começa a chegar nesse patamar, há um movimento de realização de lucro, de venda de ações — disse Monteiro. O Ibovespa encerrou o pregão em 53.910 pontos.

Mas se por um lado a atuação dos estrangeiros contribuiu para a alta de ações na Bolsa, beneficiando os fundos de investimentos que compram esses papéis, por outro lado enfraqueceu o dólar. No mês, a divisa caiu 4,4% e, no ano, 12,91%. Com isso, os fundos cambiais acumulam uma queda de 10,31% no ano.

Também registrou bom desempenho no mês os fundos multimercados livres, com alta de 1,30%, superando inclusive a tradicional renda fixa. As carteiras de renda fixa de duração livre (podem investir em papéis de longo prazo) tiveram ganho de 0,94% em abril, pouco acima do 0,90% alcançado pelas carteiras renda fixa baixa duração, voltada para títulos de curto prazo.

A tradicional caderneta de poupança, no mês, conseguiu superar a inflação, com ganho de 0,63%, ante 0,33% do IGP-M. No entanto, no ano, a tradicional aplicação rende menos, 2,60%, enquanto a inflação do período é de 3,60%.

Na avaliação de Fabio Colombo, administrador de investimentos, o debate sobre a política monetária nos Estados Unidos e o desempenho das grandes economias devem estar no radar de quem vai fazer alguma aplicação em maio. O cenário político também não deve ser deixado de lado.

— O desenvolvimento do processo de impeachment da presidente Dilma no Senado, a formação de novo ministério pelo eventual novo governo Temer, principalmente, da área econômica; e as novas medidas econômicas são variáveis a considerar — justificou, assim como a reação do PT e movimentos sociais contra um eventual novo governo.

Confira os rendimentos em abril:

Ibovespa: +7,70%

Fundos índice ações ativo*: +4,52%

Fundos ações livre*: +3,87%

Fundos multimercados livre*: +1,30%

Fundos renda fixa duração livre*: +0,94%

Fundos renda fixa duração baixa*: +0,90%

Poupança: +0,63%

Fundos cambiais*: -1,58%

Dólar comercial: -4,36%

IGP-M: +0,33%

Confira os rendimentos acumulados no ano:

Ibovespa: +24,36%

Fundos índice ações ativo*: +15,41%

Fundos ações livre*: +11,17%

Fundos renda fixa duração livre*: +4,78%

Fundos multimercados livre*: +4,21%

Fundos renda fixa duração baixa*: +4,18%

Poupança: +2,60%

Fundos cambiais*: -10,31%

Dólar comercial: -12,91%

IGP-M: +3,30%

*Acumulado no ano até 26 de abril

Fontes: Anbima, Banco Central, BM&FBovespa, CMA e FGV

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