À espera do banco central americano, dólar vale R$ 3,47

RIO e SÃO PAULO – O mercado de câmbio tem um dia instável nesta quarta-feira, com os investidores na expectativa da reunião do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, sobre a taxa de juro. A decisão sai à tarde. A divisa americana começou o dia em queda, inverteu o sinal e agora volta a se depreciar frente ao real. Às 12h15m, o dólar comercial recuava 0,11% sendo negociado a R$ 3,47. Na máxima do dia, a divisa subiu a R$ 3,49 e na mínima foi negociada a R$ 3,46.

Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o dia começou com os investidores comprando ações e acompanhando a recuperação dos mercados internacionais. Ontem, o temor de que o Reino Unido deixe a União Europeia abalou os mercados globais, que fecharam em baixa, refletindo na Bolsa paulista, que recuou 2,04%. Às 12h15m, o Ibovespa, índice de referência do mercado de ações brasileiro, firmou-se em alta de 1,51% aos 49.380 pontos e volume negociado de R$ 2 bilhões, beneficiando-se do bom desempenho das bolsas no exterior, diz relatório da Guide Investimentos.

— É preciso lembrar que também acontece hoje o vencimento do Ibovespa Futuro, o que leva muito investidores a comprarem ações para fazer giro e levar o Ibovespa acima dos 50 mil pontos – observa Ari Santos, gerente da mesa de operação Bovespa da corretora H. Commcor.

Entre as maiores altas do pregão estão as ações preferenciais (sem direito a voto) da Usiminas, com alta de 13,7% a R$ 1,90. A Usiminas acertou os termos de renegociação de suas dívidas com os bancos credores, incluindo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e também os debenturistas. Comunicado divulgado mostra que a siderúrgica terá dez anos para quitar as dívidas e três anos de carência para iniciar o pagamento do valor principal. As negociações também envolvem o Itaú Unibanco, o Banco do Brasil, o Bradesco. A condição para que o acordo seja fechado é que o aumento de R$ 1 bilhão de capital da empresa seja homologado até 22 de julho.

Ações de siderúrgicas e da Vale estão entre as maiores altas acompanhando a valorização do minério de ferro no exterior. Os papéis ordinários (com direito a voto) da Vale sobem 5,26% a R$ 15,40.

A maior baixa é apresentada pelos papéis ordinários da Kroton, com baixa de 2,98% a R$ 12,69. O mercado dá como certo que a companhia educacional vai aumentar a proposta feita para a aquisição da Estácio, depois que a Ser Educacional entrou na disputa.

INVESTIDORES ACOMPANHAM FED

O fato mais importante do dia é a reunião do banco central americano (o Federal Reserve), que deve decidir se altera a taxa de juros vigente — que está entre 0,25% e 0,50%. A expectativa de que os juros subiriam neste mês foi adiada, segundo especialistas, com indicadores econômicos mais fracos divulgados recentemente. Mas o mercado acompanhará o discurso da presidente do Fed, Janet Yellen, após a decisão, tentando identificar algum sinal sobre quando de fato os juros subirão.

— Acredito que não haverá uma mexida nos juros hoje e o Fed jogará a decisão para julho – diz Santos, da H. Commcor.

No mercado externo, o petróleo WTI negociado em NY mostrava queda de 1,15%, com o barril cotado a US$ 47,93.

MERCADOS EXTERNOS EM RECUPERAÇÃO

No exterior, o quadro de hoje é de recuperação nos mercados de risco, depois de quedas sucessivas, observa o economista-chefe do home broker Modalmais, Álvaro Bandeira, em relatório. Há expectativa de que o Banco do Japão possa anunciar estímulos extras à economia. E indicadores mais positivos na Europa também embalam positivamente as bolsas. A balança comercial da zona do euro avançou em abril para um superávit de 27,5 bilhões de euros, maior que o saldo positivo de 20,9 bilhões de abril de 2015, segundo a Eurostat.

A Bolsa da Alemanha sobe 1,31%, a de Paris tem valorização de 1,48%, enquanto Londres ganha 1,15%.

Apesar das altas, os investidores ainda acompanham com apreensão a eventual saída do Reino Unido da União Europeia (o chamado Brexit). Segundo dados compilados pela Bloomberg, são 46% a favor da saída; 41,8% a favor da permanência; e 12,2% indecisos. a taxa de desemprego no Reino Unido recuou para 5%, o menor nível desde 2005.

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