Delação de Delcídio faz Bolsa subir quase 3%

SÃO PAULO- O cenário política faz com que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opere em forte alta nesta quinta-feira. Os investidores repercutem a delação premiada do senador Delcídio Amaral (MS-PT). Às 14h16, o índice Ibovespa subia 2,91%, aos 46.200 pontos, se descolando do comportamento do mercado externo. Já o dólar comercial acentua a queda e recua 1,46% ante o real, cotado a R$ 3,830 na compra e a R$ 3,832 na venda – na mínima, chegou a R$ 3,817, o menor valor do ano.

— A delação do senador Delcídio está fazendo a Bolsa subir. Todas as estatais têm forte alta, como Banco do Brasil e Petrobras. Isso corre porque há uma possibilidade maior de impeachment da presidente Dilma Rousseff — avaliou Luiz Roberto Monteiro, operador da Renascença Corretora.

Contribui para esse desempenho nos mercados financeiros a repercussão de trechos da delação do senador petista, ainda não homologada e publicada no site da revista “IstoÉ”, que mostra que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva sabia dos desvios na Petrobras e que a presidente Dilma teria atuado para soltar alguns dos investigados na Lava-Jato. O depoimento tem potencial de complicar ainda mais a situação do governo e analistas e operadores acreditam que cresce a chance de um impeachment. Desde as eleições de 2014, notícias desfavoráveis ao governo fazem a Bolsa subir e o dólar, cair, apesar dos indicadores fracos da economia.

Em meio a esse cenário, as ações da Petrobras voltam a operar em forte alta. Os papéis preferenciais (PNs, sem direito a voto) sobem 12,74%, cotados a R$ 6,37, e os ordinários avançam 10,86%, a R$ 8,98. Essa alta ocorre mesmo com a alta limitada do petróleo no mercado internacional – o do tipo Brent tem leve alta de 0,22%, a US$ 37,01 o barril.

As ações do setor bancário, de maior peso no Ibovespa, também sobem forte. As preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco avançam, respectivamente, 4,55% e 4,33%. No caso do Banco do Brasil, a alta é de 9,25%. No caso da Vale, a alta é mais modesta, as preferenciais sobem 3,60% as ordinárias têm leve alta de 2,18%.

DÓLAR EM QUEDA

A trajetória de queda é global, mas no Brasil ela ocorre de forma mais acentuada. O “dollar index”, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de dez moedas, tem recuo de 0,63%. Na noite de ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) não surpreendeu os economistas do mercado financeiro, mantendo a taxa básica de juros, a Selic, a 14,25% ao ano.

Apesar da forte queda do PIB, de 3,8%, o desempenho da economia brasileira veio dentro do esperado por analistas e economistas. “Além disso, o noticiário político segue nos holofotes e destaca a informação de que o Supremo Tribunal Federal (STF) deve abrir uma ação penal contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tornando-o réu na Operação Lava Jato pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro”, lembrou, em relatório a clientes, Ricardo Gomes da Silva Filho, superintendente da Correparti Corretora de Câmbio.

Do ponto de vista externo, a principal notícia foi a divulgação dos dados do mercado de trabalho americano. Os pedidos de seguro-desemprego na última semana subiram para 278 mil, ante 272 mil na semana anterior. A expectativa de analistas é que ficasse em 270 mil.

BOLSAS NO EXTERIOR EM QUEDA

No exterior, os principais indicadores dos mercados acionários operam em queda. O DAX, de Frankfurt, recua 0,25%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, recua 0,20%. Já o FTSE 100, de Londres, tem queda de 0,27%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones cai 0,33% e o S&P 500, 0,34%.

A exceção ocorre na Ásia. As Bolsas chinesas subiram pela terceira sessão seguida nesta quinta, ampliando os ganhos de 4% da sessão anterior, com os investidores aguardando pistas sobre a política econômica do encontro do Legislativo que começa no sábado.

O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 0,23%, enquanto o índice de Xangai teve alta de 0,36%. O mercado tem se recuperado desde o anúncio pelo banco central, na segunda-feira, de injeção de liquidez no sistema bancário através do corte da taxa de compulsório.

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