Dólar vale R$ 3,24 após BC intervir; Kroton sobe e JBS cai na Bolsa

RIO e SÃO PAULO – Depois de uma manhã volátil, o dólar comercial está em alta no último pregão da semana, refletindo a decisão do Banco Central de voltar a intervir no mercado. A divisa americana sobe 0,90%, negociada a R$ 3,243 na venda. Na máxima do dia, o dólar chegou a R$ 3,249 e na mínima recuou a R$ 3,198. Na Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, índice de referência do mercado de ações brasileiro, está em alta de 0,88% aos 51.986 pontos, seguindo as Bolsas do exterior, que também sobem nesta sexta. É o quarto dia consecutivo de alta.

As ações ordinárias da processadora de carne JBS apresentam a maior queda do pregão e se desvalorizam 4,90% a R$ 9,52. Uma operação da Polícia Federal, que faz parte da Lava Jato, fez buscas na casa do empresário Joesley Batista e investiga a Eldorado, empresa de papel e celulose do grupo J&F, controlador da JBS. O empresário Henrique Constantino, da família controladora da Gol, também foi alvo de busca e apreensão na operação. Os papéis preferenciais da companhia recuam 0,28% a R$ 3,44.

Já as ações ordinárias da Kroton apresentam alta de 5,07% a R$ 14,30 e estão entre as cinco maiores altas da Bolsa. O Conselho de Administração da Estácio Participações aceitou a proposta da gigante Kroton para uma fusão. O negócio foi fechado depois que a Kroton melhorou sua oferta de troca de ações durante essa madrugada, quando o conselho estava reunido. A fusão ainda depende da aprovação do Cade. Já os papéís ON da Estácio avançam 2,59% a R$ 17,42.

Entre as ações de maior peso no Ibovespa, Vale PNA sobe 0,99% a R$ 13,17, enquanto Petrobras PN tem ganho de 3,18% a R$ 9,73. Entre as ações de bancos, as preferenciais do Itaú Unibanco avançam 0,99% a R$ 30,59 enquanto os papéis PN do Bradesco sobem 1,07% a R$ 25,44.

BC VOLTA A INTERVIR NO CÂMBIO

Depois de um mês e meio, o Banco Central interveio no câmbio, nesta manhã, e ofertou dez mil contratos de swap cambial reverso, totalizando US$ 500 milhões. Trata-se de uma operação que equivale a uma compra de dólares no mercado futuro, o que evita uma depreciação maior da divisa americana. Foi a primeira intervenção feita na gestão do novo presidente do BC, Illan Goldfajn e todo o lote oferecido no leilão foi vendido.

O dólar se desvalorizou 11% em junho, a maior queda percentual em um mês desde abril de 2003. Depois das primeiras declarações de Goldfajn dizendo que o ‘câmbio é flutuante’, o mercado interpretou que não haveria piso para a moeda. No entanto, um dólar muito baixo prejudica as exportações brasileiras.

“Com essa medida (o leilão) o mercado “entende” que a instituição provavelmente esteja defendendo o nível de R$ 3,20 como piso para o dólar”, escreve Ricardo Gomes, especialista em câmbio da Correparti, em relatório divulgado nesta manhã.

O mercado testou um dólar abaixo de R$ 3,20 nesta quinta. Na mínima do dia, a divisa operou a R$ 3,18, mas acabou fechando a R$ 3,21. Após o fechamento do mercado, o BC anunciou a intervenção.

Mesmo assim, para analistas, a tendência da moeda americana é de baixa frente ao real. Com o clima político mais favorável e uma possível consolidação do ‘impeachment’ da presidente Dilma Rousseff, a manutenção da elevada taxa de juros (14,25% ao ano) que atrai recursos de estrangeiros e o aumento de liquidez feito pelos principais bancos centrais do mundo após o ‘Brexit‘ a expectativa é de um dólar mais baixo por aqui.

Em nota divulgada nesta sexta, a Abimaq, associação que representa os fabricantes de máquinas, afirma que uma taxa de câmbio abaixo de R$ 3,8 coloca em risco “o início de recuperação da economia, desestimula o setor produtivo a brigar no mercado externo e elimina o único drive disponível no curto e médio prazo para voltarmos a crescer”.

No pregão de quinta-feira, a divisa apresentou desvalorização de 0,74%, cotada a R$ 3,21 na venda, o menor nível desde 21 de julho do ano passado, quando fechou negociado a R$ 3,174. No primeiro semestre, a queda do dólar frente ao real foi de 18,6%

BOLSAS NO EXTERIOR EM ALTA

No exterior, os principais pregões europeus estão em alta, com os investidores digerindo o discurso do presidente do Banco da Inglaterra (BoE) de que novas medidas de estímulo monetário podem ser anunciadas nos próximos meses. Após o forte impacto do “Brexit”, as bolsas da região retomam a força com a ação coordenada de bancos centrais do Japão, Inglaterra, Suíça em injetar liquidez no sistema. A expectativa de adiamento da alta de juros nos EUA até dezembro também traz ânimo.

“Há a sensação de que os emergentes ficaram baratos para os desenvolvidos e isso pode ampliar o fluxo de recursos”, escreve em relatório o economista Álvaro Bandeira, do home broker Modalmais.

Em Londres, a bolsa sobe 1,18%, em Frankfurt a alta é de 0,97% e em Paris o pregão avança 0,79%. O índice Eurostoxx, referência do mercado europeu, sobe 0,59%. Nos Estados Unidos, os principais índices também sobem: o Dow Jones avança 0,19%, o Nasdaq se valoriza 0,59% e o S&P 500 tem alta de 0,26%.

Na Ásia, a Bolsa de Tóquio fechou com ganhos de 0,68% e em Xangai, na China, as ações subiram 1,75%.

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