Dólar tem alta pelo quarto dia e fecha a R$ 3,33; Bolsa sobe

SÃO PAULO – O dólar comercial manteve o ritmo de valorização frente ao real observando desde sexta-feira passada e fechou com ganho de 1,09% negociado a R$ 3,33. Na máxima do dia, a divisa subiu até R$ 3,34, enquanto na mínima foi negociada a R$ 3,31. Foi a quarta alta consecutiva. O dólar reagiu, segundo operadores, a mais uma intervenção do Banco Central no mercado de câmbio. Também subiu em meio a uma nova rodada de aversão a ativos de risco no exterior provocada pelas incertezas em torno do Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia.

— O dólar reagiu ao pessimismo do exterior e, claro, a mais uma intervenção do Banco Central, que sinaliza que quer o dólar num patamar acima de R$ 3,20 — diz Marcos Trabbold, operador de câmbio da corretora B&T. Preocupações com os sistemas financeiros da Inglaterra e da Itália levaram à busca pela moeda americana. O dollar spot, que acompanha o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de dez moedas, acabou encerrando o dia praticamente estável.

Pelo quarto dia seguido, o BC realizou um leilão de contratos de swap cambial reverso, operação que equivale a uma compra de dólares no mercado futuro. Foram vendidos os 10 mil contratos oferecidos, totalizando US$ 500 milhões. Em quatro dias, as operações do BC somaram US$ 2 bilhões e com isso o BC vai reduzindo seu estoque de contratos de swap tradicionais, que foram utilizados para evitar uma valorização excessiva do dólar no passado. O estoque destes contratos chega a US$ 60 bilhões.

“Ao aceitar a totalidade das propostas apresentadas pelo mercado, a autoridade monetária sinalizou seu desejo pela manutenção do preço da moeda americana no patamar de R$ 3,30 ou acima desse nível”, escreveu em relatório Ricardo Gomes, especialista em câmbio da corretora Correparti.

Para Trabbold, o mercado já percebeu uma mudança de estratégia do BC, que desde sexta-feira passada voltou a intervir no mercado de câmbio. O objetivo é evitar uma desvalorização excessiva da moeda americana, o que prejudicaria o desempenho de nossas exportações.

No cenário doméstico, o mercado está atento ao anúncio do déficit fiscal esperado para 2017. A estimativa é que ele será um pouco menor que os R$ 170 bilhões deste ano, mas ainda assim bastante elevado, o que deixa investidores na defensiva. A líder do governo, Rose de Freitas, confirmou que o número pode ficar entre R$ 150 bilhões e R$ 160 bilhões.

BOVESPA INVERTE QUEDA E FECHA EM ALTA

Depois de cair 1,96% pela manhã, o Ibovespa, índice de referência do mercado de ações brasileiro, inverteu o sinal e fechou o dia em alta de 0,11% aos 51.901 pontos e volume negociado de R$ 5,3 bilhões. A melhora do preço do petróleo no mercado externo, depois de dois dias de queda, influenciou as ações da Petrobras, que ficaram entre as maiores altas do pregão. A divulgação da ata do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, sem novidades fez com que os principais índices americanos encerrassem em alta e o Ibovespa seguiu o ritmo.

— A recuperação do preço do petróleo no exterior ajudou Petrobras. E as ações de siderúrgicas, que tinham caído muito ontem, também reagiram e fecharam em alta – disse Ari Santos, gerente da Mesa Bovespa da corretora H. Commcor.

O Ibovespa subiu puxado pelas ações da Vale e da Petrobras, que têm maior peso no índice. Vale PNA subiu 2,25%% a R$ 13,19, enquanto Petrobras ON subiu 3,09% a R$ 11,69 e Petrobras PN teve ganho de 2,26% a R$ 11,69. Pela manhã, a cotação internacional do petróleo estava recuando, mas à tarde passou a subir e fechou em alta de 1,75% com o barril Brent a US$ 48,80.

As ações de bancos reagiram ao clima de desconfiança em relação a algumas instituições financeiras da Europa, pela manhã, mas inverteram a tendência e fecharam com ganhos. Itaú Unibanco PN avançou 0,39% a R$ 30,82 e Bradesco PN encerrou estável a R$ 25,70.

O mercado também analisou a ata da última reunião do Federal Reserve, o banco central americano, divulgada hoje. Não houve novidades. Os membros do Fed se mostram divididos sobre o ritmo de aperto monetário no país e avaliam que o Brexit traz riscos à economia global. Na sexta-feira, saem os dados de emprego (pay-roll), que podem sinalizar o ritmo de recuperação da economia americana.

— A ata do Fed não trouxe surpresas. A alta dos juros não deve acontecer agora, especialmente agora com o episódio do BGrexit que traz muitas incertezas – disse Santos.

Nos Estados Unidos, os principais índices que estavam sem tendência definida fecharam com ganho: o Dow Jones subiu 0,44%; o Nasdaq teve alta de 0,77% e o S&P 500 avançou 0,54%. No início da sessão, as Bolsas americana seguiram a queda na Europa, mas depois da divulgação do ISM, índice que acompanha o setor de serviços, a tendência do mercado se inverteu. O ISM subiu para 56,5 pontos em junho, ante os 52,9 pontos registrados em maio, enquanto analistas previam 53,6 pontos. Números acima de 50 indicam expansão da atividade, enquanto números menores sugerem contração.

BOLSAS EM QUEDA

Na Europa, as Bolsas fecharam em queda com os investidores vendendo ações em meio a um cenário de desconfiança com as incertezas trazidas pelo Brexit. Londres caiu 1,25%; Paris recuou 1,88% e Frankfurt teve desvalorização de 1,67%. O Eurostoxx 50, que reúne as ações mais negociadas na Europa, perdeu 1,83%. De acordo com relatório da Guide Investimentos, o clima de aversão a ativos de risco lá fora é resultado dos desdobramentos imprevisíveis do Brexit, a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia. Há desconfiança da saúde de alguns bancos europeus, especialmente os italianos. O Banco da Inglaterra decidiu também reduzir as exigências de capital bancário.

Além disso, diz a equipe de análise da Guide, existe a expectativa de queda de preço nos imóveis no Reino Unido, o que tem levado a saques de fundos imobiliários. Seis grandes fundos já suspenderam os saques bloqueando 15 bilhões de libras.

Na Ásia, os mercados chineses apresentaram leve alta em contraste com as demais Bolsas da região.

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