Dólar sobe com compra de até US$ 4 bi pelo BC; Bolsa sobe 2%

RIO – O dólar comercial, que abriu em forte queda nesta segunda-feira — dia seguinte ao “sim” da Câmara dos Deputados à continuação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff — inverteu a trajetória após o Banco Central (BC) anunciar intervenção no câmbio. A moeda americana agora sobe 0,45%, cotada a R$ 3,542 para venda. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registra valorização de 2,12%, aos 52.757 pontos.

Na mínima, o dólar chegou a valer R$ 3,479 antes de o BC chamar leilão de 80 mil contratos de “swap cambial reverso”, operação que equivale à compra de dólares no mercado futuro. Assim, o BC pretende enxugar quase US$ 4 bilhões do mercado de câmbio, forçando a uma valorização da divisa.

Crítico a política econômica do governo Dilma, o mercado financeiro tem reagido positivamente, nos últimos anos, a notícias negativas para a presidente.

BC COMPROU QUASE US$ 25 BI NA SEMANA PASSADA

Na semana passada, o BC enxugou US$ 24,7 bilhões do mercado por meio dessa operação, para evitar que o otimismo dos investidores com a possibilidade de impeachment desvalorizasse demais o dólar. Isso, na avaliação da autoridade monetária, prejudicaria as exportações e as empresas que vinham se preparando para uma alta do dólar. Apesar de toda essa artilharia, na semana a moeda recuou 1,97%.

Já as ações brasileiras cotadas na Bolsa de Londres chegaram a subir até 2,5% nesta segunda-feira, após a Câmara aprovar a continuação do processo de impeachment da presidente Dilma. Os títulos da Petrobras cotados na Bolsa de Frankfurt avançavam 3,76%, enquanto os da fabricante de aeronaves Embraer ganhavam 0,32%.

No mercado europeu, às 10h19 (hora local), o iShares MSCI Brazil subia 3,87%, a 1.669,17 libras esterlinas, o nível mais alto desde julho do ano passado, enquanto os títulos brasileiros na Bolsa de Londres cotados em dólar ganhavam quase 2%.

JUROS FUTUROS RECUAM

O bom humor dos investidores após a aprovação do impeachment na Câmara se reflete na expectativa de juros futuros. Os contratos DI com vencimento em janeiro de 2021 recuaram de 13,04% para 12,89% ao ano. A taxa indica a previsão do mercado financeira para a taxa básica de juros da economia, a a Selic, naquela data. Já o contrato com prazo em janeiro de 2017 recua de 13,60% para 13,54%.

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