Dólar sobe a R$ 3,33 com exterior e ação do Banco Central

RIO e SÃO PAULO – Pelo quarto dia consecutivo, o dólar comercial se valoriza frente ao real. A moeda americana está sendo negociada a R$ 3,31 na venda, uma valorização de 0,48%. Na máxima do dia, a divisa subiu até R$ 3,33 e na mínima foi negociada a R$ 3,31. O dólar reage a mais uma intervenção do Banco Central no mercado de câmbio e em meio a aversão a ativos de risco no exterior.

Pelo quarto dia consecutivo, o BC realizou um leilão de contratos de swap cambial reverso, operação que equivale a uma compra de dólares no mercado futuro. Foram vendidos os 10 mil contratos oferecidos, totalizando US$ 500 milhões. Em quatro dias, as operações do BC somaram US$ 2 bilhões e com isso o Bc vai reduzindo seu estoque de contratos de swap tradicionais, que foram utilizados para evitar uma valorização excessiva do dólar. O estoque destes contratos chega a US$ 60 bilhões.

“Ao aceitar a totalidade das propostas apresentadas pelo mercado, a autoridade monetária sinalizou seu desejo pela manutenção do preço da moeda americana no patamar de R$ 3,30 ou acima desse nível”, escreve em relatório divulgado nesta manhã, Ricardo Gomes, especialista em câmbio da corretora Correparti.

Para ele, o mercado já percebeu uma mudança de estratégia do BC, que desde sexta-feira passada voltou a intervir no mercado de câmbio. O objetivo é evitar uma desvalorização excessiva da moeda americana, o que prejudicaria o desempenho de nossas exportações.

No cenário doméstico, há expectativa do mercado em relação ao anúncio do déficit fiscal esperado para 2017. A estimativa é que ele será um pouco menor que os R$ 170 bilhões deste ano, mas ainda elevado, o que deixa investidores na defensiva. A líder do governo, Rose de Freitas, confirmou que o número pode ficar entre R$ 150 bilhões e R$ 160 bilhões.

No exterior, o dollar spot, que acompanha o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de dez moedas, se valoriza 0,02%.

BOLSAS EM QUEDA

Na Europa, as Bolsas operam no negativo. Londres cai 1,51%; Paris recua 1,94% e Frankfurt tem desvalorização de 2,01%. O Eurostxx 50, que reúne as ações mais negociadas na Europa, recua 1,71%. De acordo com relatório da Guide Investimentos, o clima de aversão a ativos de risco lá fora é resultado dos desdobramentos imprevisíveis do Brexit, a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia. Há desconfiança da saúde de alguns bancos europeus, especialmente os italianos. Além disso, diz a equipe de análise da Guide, existe a expectativa de queda de preço nos imóveis no Reino Unido, o que tem levado a saques de fundos imobiliários.

“Nesse cenário de incertezas, as Bolsas vão operando em queda e o dólar se valoriza frente a moeda de emergentes”, diz a Guide em seu texto.

O mercado também aguarda a ata da última reunião do Federal Reserve, o banco central americano, que decidiu pela manutenção dos juros. Os investidores procuram por sinais da autoridade monetária americana de quando as taxas poderão subir. A expectativa do mercado é que isso só ocorra em dezembro.

BOVESPA CAI COM EXTERIOR

Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), os investidores acompanham o mau humor do exterior e o Ibovespa, índice de referência do mercado de ações brasileiro, se desvaloriza. A queda é de 0,84% aos 51.406 pontos.

Entre as ações de maior peso no Ibovespa, Vale PNA cai 0,85% a R4 12,80, refletindo a desvalorização no preço das commodities. Petrobras PN perde 1,72% a R4 9,14 com recuo na cotação internacional do petróleo. As ações de bancos reagem ao clima de desconfiança em relação a algumas instituições financeiras da Europa. Itaú unibanco PN perde 1,17% a R$ 30,33 e Bradesco PN cai 1,90% a R$ 25,22.

Na Ásia, os mercados chineses apresentaram leve alta em contraste com as demais Bolsas da região.

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